“Perguntar não ofende. Será que o projeto Pé na Escola da prefeitura de Salvador foi o primeiro passo de ACM Neto para privatizar o ensino público na Bahia?”. O questionamento do deputado estadual Angelo Almeida (PT) é motivado pelo fechamento de escolas municipais simultâneo à evolução das despesas com o projeto que compra vagas no ensino privado.
“A iniciativa do Pé na Escola foi de ACM Neto em 2018 e o projeto vem sendo intensificado pelo sucessor e afilhado político, Bruno Reis”, lembra o parlamentar. Segundo dados da transparência da prefeitura, os gastos com o Pé na Escola já alcançam R$ 217 milhões por ano.
“Enquanto isso, escolas municipais como a do Rio Sena são fechadas e várias outras operam em situação de total precariedade”, comenta Almeida, acrescentado que o pré-candidato a governador, ACM Neto, recentemente elogiou muito, em entrevista à imprensa, o modelo privatista da educação pública praticado pelo governador Ratinho Jr. no Paraná.
“Há estimativa de que o governo de Ratinho Jr. pague quase R$ 2 bilhões por ano às empresas que estão substituindo as escolas estaduais com um lucro estimado em R$ 240 milhões”, diz o deputado petista, indagando se é essa a pretensão de ACM Neto ao disputar as eleições estaduais.
Ângelo Almeida observa que o secretário de Neto que estava à frente da implantação do projeto Pé na Escola, Bruno Barral, é um dos investigados pela Polícia Federal na Operação Overclean. “Quando estava no comando da pasta da educação na capital mineira, ele foi indiciado por transações suspeitas”.
Em Salvador, depois de manifestações populares e denúncias na imprensa, o Pé na Escola está sendo alvo de investigação do Ministério Público. “Pelo bem do direito conquistado pelo povo da universalização do ensino público, que o MP chegue a bom termo e o possível plano de privatização de ACM Neto não ganhe asas”.



