Rádio Peão: A derrota dos vitoriosos e a vitória dos derrotados

Candidato governo da Bahia

Compartilhe essa notícia!

Apesar dos ataques das forças ocultas e evidentes, Juca Aleixo retorna mais uma semana para narrar com sua pluma de ganso, em detalhes, os bastidores da eleição onde ficou claro o que todo mundo já sabia, eleição não se ganha de véspera.

A derrota dos vitoriosos e a vitória dos derrotados

Como é de praxe na Bahia, o candidato líder das pesquisas não levou e, por um triz, não foi derrotado no 1º turno. Chama atenção o fato de que a pesquisa que mais se aproximou no abrir das urnas foi logo a mais atacada, a classificada como “enquete”. A virada, que assustou muitos no pós-urnas, não foi novidade para muitos caciques e articuladores da campanha da do ex-Prefeito. Na alta cúpula já havia articuladores, experimentados em eleição do outro lado, apontando que o movimento do 13 estava crescendo e poderia vir com força suficiente para transformar a onda em tsunami. Para alegria deles, ficou só na onda mesmo.

Derrota moral

A virada do Professor deixou o cenário de terra arrasada do outro lado. Até cacique velho já tinha jogado a toalha no primeiro dia após o resultado. Fica claro que essa gente gosta mesmo é de oba-oba e sofre de amnésia. Achar que iria vencer um grupo que está aí há 16 anos com base em pesquisa, que toda eleição erra, e com o fato de ter um candidato forte, é mesmo sinal de no mínimo inocência. Se fossem capaz de olhar o copo cheio, ia ver que colocar o PT no 2º turno já é um trunfo inédito. Tanto que do lado vermelho o trabalho começou cedo, horas após o pleito, justamente por força do cenário que pela 1º vez é de incerteza.

A derrota dos caciques

A eleição de 2022 impôs derrota a dois caciques da política baiana. O primeiro, de Feira de Santana, por força da votação de seu candidato por lá. O número, apesar de vitória, foi considerado nos bastidores como uma derrota acachapante. O outro cacique, ex-presidente da ALBA, que deu por muitos anos as cartas na política baiana, não conseguiu se eleger, apesar de ter a promessa de voto do próprio candidato a governador. O pleito deixou muitos derrotados, mas esses dois são apontados em qualquer roda do poder como os que mais saíram perdendo.

Queimando dinheiro

Um certo empresário, movido pela paixão e com dinheiro em caixa para queimar, resolveu fazer várias apostas de alto valor de que o Ex-prefeito iria bater no 1º turno. O mangangão, confiando cegamente nas pesquisas, chegou no dois de outubro com R$ 3 milhões empenhados. O resultado todo mundo já sabe, né? Esse aí vai pensar duas, três ou até mais vezes antes de confiar em lábia de candidato e apostar alto.

A vingança dos derrotados

Chama atenção que o fluxo de vira-folha que estão saindo do ex-Prefeito para o Professor é composto em sua grande maioria de derrotados nas urnas. Das migrações até aqui, dois deles merecem uma análise especial: o Dr. e o Acólito. Ambos, aliados de 1º hora do ex-prefeitos, foram desprestigiados durante toda campanha. Preocupado em eleger os seus, o ex-Prefeito deixou os outros candidatos à ver navios. A situação do Dr. foi ainda pior, já que o Acólito destinou quase que 100% do Fundão para sua campanha. Após amargarem as derrotas, os candidatos não receberam sequer uma ligação de consolação. Aí só restou um caminho: a vingança.

A vingança dos derrotados parte 2

Após saber do avanço dos articuladores do PT sobre seus apoiadores, o ex-Prefeito não teve sequer a hombridade de procurá-los pessoalmente no 1º momento. Coube o envio de emissários para tentar contornar a situação. Segundo um dos enviados, ao tentar convencer um dos desertores, quase que acabava indo junto, ao ouvir a situação do que foi a campanha do cara e ao tomar conhecimento do que o outro lado ofereceu.

Onda ou Espuma?

Em que pesa a quantidade de migração da base Netista para Jerônista, o que se questiona nos bastidores é se de fato, até aqui, foi uma onda ou espuma, porque tem gente que foi, mas deixou os votos. Sobre os prefeitos também paira o questionamento, já que nas cidades de muitos que foram, quem havia vencido foi o candidato do PT. Fala-se até que muitos dos que foram agora, já estavam com quase o corpo todo lá no 1º turno e que por isso não tiveram o empenho que lhes competia. Há quem trate as deserções não como perda, outros como livramento.

Quem elege é o Amigo

A ida do PT ao 2º turno pela primeira vez na história em uma disputa ao governo da Bahia serviu para mostrar ao Correria que não é ele que elege ou deixa de eleger alguém no estado. Na Bahia, quem elege é o amigo. Ele trabalhou igual o cavalo e o candidato bateu no trave. Se tivesse metade da força que acha que tem, o cabra teria batido no 1º. Agora é baixar a crista e saber que na Bahia, se tem um que elege, é o Lula. E tem gente que acha que ele deveria ter baixado a crista após as duas derrotas seguidas na disputa pela Prefeitura de Salvador. Ele também não teve força para eleger o prefeito que escolheu deputado neste ano…

Mala branca

Após o abrir das urnas, uma verdadeira celeuma se instalou entre os parlamentares de Salvador. A informação é de que teve gente que recebeu mala recheada para não cumprir sua missão em prol do ex-Prefeito, deixou quem cumpriu indignado. A corrida solta do 13 em Salvador, que resultou na frente pequena, levantou um verdadeiro ambiente de desconfiança nos Brunistas.

Quebra pau

A desconfiança quase resulta em um briga entre entre parlamentares na 1º reunião para balanço da eleição. Se o prefeito não segura o ânimo da galera, o pau ia comer. Entre os xingamentos valores foram ventilados, e são assustadores: teve gente acusada de receber de R$ 500 mil a R$1 milhão. Se a gente não conhecesse os empresários por trás da campanha desse ano acreditaria que era mentira, mas conhecendo os figurões, o valor é completamente plausível.

Torneira

Dizem que quando a torneira aperta não tem jeito. Até os mais radicais acabam tendo que se dobrar:

Amizade

Política é mesmo uma coisa engraçada. Não dá para levar à sério uma briga dessa turma. Quando há conflito de interesses, se separam, quando aparece a convergência dos mesmos ou A possibilidade de ganhos, eles retornam ao convívio. Depois de tudo que foi dito, quem foi capaz de voltar a amizade com Rodrigo Maia não iria voltar com João Roma? O recado para o povo baiano é um só: não vale brigar, se matar por político. Eles não se matam e nunca se matariam por vocês:

Errado não tem vez:

E o ex-Prefeito, hein? Filão de debate no 1º turno agora quer obrigar o Professor a comparecer aos debates no 2º turno. Quando a maré era favorável ele sumiu, agora que é contrária, quer aparecer. O Professor, se faltar mesmo, vai estar retribuindo na mesma moeda. Errado não tem vez.

Desequilíbrio

Em que pese o dano do mal uso do tempo de TV, o que foi feito à chapa do União Brasil, fato inédito na história do Brasil, acabou desequilibrando o pleito. Deixar uma chapa majoritária nove dias fora da TV sem dúvida foi determinantes para o placar final do 1º turno. Em que pesa a margem de interferência no judiciário que cada candidatura sempre teve, o que foi feito neste ano foi algo impensado em uma democracia.

Máquina do ódio

Soa engraçado que um ex-membro da máquina do ódio bolsonarista tenha ido parar dentro da campanha petista, do Professor. É a prova de que essa gente, para se manter no poder, que ter em sua equipe os melhores, mesmo que o melhores hoje em dia são os que usam métodos no mínimo questionáveis para sedução das massas.

Quem são:

Ex-Prefeito: ACM Neto

Professor: Jerônimo

Amigo: Lula

Deixe seu comentário

guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Últimas