Prefeito de Salvador afirma que agenda do presidente foi ato político entre aliados e que priorizou compromissos com patrocinadores e trios; gestor reitera relação institucional com governo federal, mas diferencia parceria administrativa de apoio eleitoral.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) rebateu, neste domingo (15), as críticas do governador Jerônimo Rodrigues (PT) sobre sua ausência no evento que marcou a passagem do presidente Lula (PT) pelo Circuito Campo Grande, no último sábado. Em tom direto, o gestor municipal classificou a agenda do chefe do Executivo federal como um ato restrito à base aliada e justificou sua prioridade em compromissos operacionais da festa.
“O presidente estava acompanhado dos seus aliados políticos. Ele sempre será bem-vindo em nossa cidade, tanto ele como qualquer outro líder de fora. Ontem não era trabalho, não era nada que resultasse em benefício direto da população. Então, naturalmente, eu priorizei uma outra agenda”, explicou Bruno Reis.
O prefeito detalhou que sua ausência foi motivada por compromissos com parceiros estratégicos do Carnaval, como o Camarote da Brahma, principal patrocinador da festa, e o acompanhamento de trios elétricos. “Estive no Camarote da Brahma e tinha uma programação no trio do Psirico. Isso impossibilitou, por estar no circuito cumprindo a agenda, de estar aqui no Campo Grande”, pontuou, reforçando que a promoção de Salvador ganha com a vinda de líderes de diversos estados, citando o governador do Rio, Cláudio Castro, como exemplo.
Apesar da troca de declarações, Bruno Reis reiterou que mantém postura de diálogo com as esferas estadual e federal quando o tema envolve parcerias administrativas. Ele lembrou que sua eleição foi pautada na promessa de colocar a cidade acima de siglas partidárias, mas fez questão de diferenciar atos institucionais de agendas políticas de cunho eleitoral.
“Não tenho dificuldade nenhuma de ter qualquer relação institucional com o presidente ou com o governador. Me elegi assim e, sempre que for necessário trabalhar de mãos dadas, colocarei os interesses da população acima de qualquer questão política”, garantiu, sinalizando que a parceria administrativa não obriga a presença em atos políticos da base adversária.
Questionado sobre a sugestão do secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner, de reduzir circuitos existentes para dar lugar a novos projetos como o da Boca do Rio, Bruno Reis manteve cautela e defendeu que qualquer mudança dessa magnitude exige maturidade e debate técnico. O prefeito concluiu reforçando que Salvador vive um momento de “casa cheia” e que a gestão da multidão requer pragmatismo: “A presença de líderes promove o nosso Carnaval, mas o meu papel é garantir que a operação funcione e que os patrocinadores, que investem no nosso evento, sejam prestigiados.”



