Uma testemunha ocular dos passos do Partido Progressitas após a entrevista bomba de Jaques Wagner (PT) à rádio Metrópole, que acabou com os planos do partido, resolveu procurar o OFF News para contar os detalhes dos acontecimentos, para esclarecer à sociedade o que “há de verdade” nas notícias sobre acordos com caciques e acerca do desembarque do grupo.
A fonte, que pediu para não ser identifica em respeito ao grupo, explica que após Wagner romper publicamente com o acordo, sem comunicar, o partido foi chamado às pressas em Brasília.
Lá, em reunião com Arthur Lira (PP) e Ciro Nogueira (PP), ele recebeu carta branca na Bahia, já que o mandato de Leão, que era cláusula pétrea e resultado do próprio recuo do pepista em sua candidatura ao governo da Bahia, já não existia mais.
“Nós abrimos mão de ter um protagonista na chapa. Wagner disse que retiraria sua candidatura e Rui Costa falou que iria disputar o Senado e que Otto Alencar seria o candidato a governador. Teve reunião isso foi apresentado e terminou tudo acordado. Perguntamos: martelo batido? Todos disseram que sim. Aceitamos o acordo, mas não era o que nós desejávamos, Leão queria ser candidato a governador ou senador, mas para somar, manter a premissa da aliança, Leão abriu mão e depois foi a São Paulo. E esse acordo foi apresentado a Lula que o abençoou, achou “muito boa” a proposta e estava tudo tranquilo. É claro que Otto estava com certa dificuldade, queria um dia e no outro já não queria, até aí tudo bem. Aí de repente o amigo vai ao rádio e diz que está tudo desfeito, que Rui continuar no cargo e que o PT terá candidato governador, sem avisar nada”, pontuou a fonte, demonstrando o choque que os pepistas ficaram.
Descumprimento
A fonte da alta cúpula pepista explica que o partido está profundamente magoado.
Na última quarta-feira (8), o PP se reuniu com Rui Costa, a pedido do governador. Lá houve também pedidos de desculpa e de tempo. Rui prometeu conversar com Otto Alencar e com Lula, para junto com o PP, sacramentarem um acordo para evitar que a legenda desembarque do grupo.
“Foi feito acordo e ele foi jogado no lixo. Eu acho 1º coisa a ser feita, na visão do partido, é resgatar o acordo. A partir daí a gente pode chegar a uma série de coisas. São 14 anos juntos, nós ganhamos e ajudamos a governar. Se não servimos para fazer transição, para que mesmo a gente serve? Agora eles falam que a decisão está tomada, martelo batido, que o PT vai indicar Caetano, Moema ou Jerônimo, isso foi a notícia dada na entrevista. Olhe bem, se você tem uma relação 14 anos, de casado, vamos citar como exemplo, se você gosta, o que você faz? Valoriza, conversa. Não é assim que se faz as coisas, indo para rádio comunicar rompimento de acordo feito entre lideranças em reuniões fechadas. O PP todo está muito chateado, mas sabe, eu nunca vi o partido tão unido em torno Leão. Nós estamos abertos, não fechamos acordo, o prazo da janela está para fechar, e temos que estar atentos. O PP são 100 prefeitos, 10 deputados estaduais e 4 deputados federais, e que as pessoas saibam, é tão grande, que temos o vice-governador, o partido não pode ser tratado como se fosse um deputado, um partido recém criado, tem que ter respeito”, desabafou a fonte demostrando insatisfação.
O político explica que a cláusula pétrea para o PP é na verdade o protagonismo de João Leão e não o mandato em si: “sem isso não tem conversa. Não é uma questão de hoje, é de sempre. Sem protagonismo de Leão não há acordo ou conversa. Tem que ter, é até uma questão de justiça, correção do partido e com seu líder. O partido está muito unido, eles conseguiram com isso aumentar os laços de fraternidade. Eles dizem: ´”perca o que perder, estamos juntos”. Há conversas de tomar prefeito, cargo do PP, pelo amor de Deus, isso não mete medo a ninguém! Estamos a seis meses da eleição, nove meses do fim do governo. Os prefeito ainda terão mais dois anos. Não sensibiliza ninguém isso não”, ressalta o pepista.
Proposta
O político nega que houve qualquer acordo com ACM Neto ou com João Roma.
“Primeira questão, bom deixar isso claro, nunca ocorreu conversas institucionais do PP com o DEM, jamais. A relação que há é a que todos os partidos tem, as pessoas não são inimigas. A política é a arte da convivência, construção. Sempre houve gente dizendo, vamos conversar, mas nós estamos aqui [grupo do PT], nossa casa é aqui, ajudamos a ganhar eleição aqui, governar aqui. O momento é de acordo rompido, a 20 dias da janela, isso é uma coincidência inclusive que não foi construída por nós”, pontua a fonte do PP.
O pepista explica que o encontro com ACM Neto em Brasília, como mostrou o OFF News, foi mesmo de cortesia, mas admite que ele, aproveitando o momento de fragilidade, tentou conquistar o PP para sua base:
“Estávamos em reunião e o Ciro Nogueira entrou em contato e perguntou: “Tou aqui com o Neto, ele pode ir aí fazer uma visita?” O que poderíamos fazer, dissemos que sim. Olha nossa situação, um acordo jogado no lixo em uma entrevista de rádio, pela figura mais importante do PT estadual… Ele fez uma proposta, nós recebemos, ficamos de analisar, mas não batemos o martelo. Agora, se amanhã as coisas não funcionarem no grupo, vamos ter que analisar. A direção nacional também trabalha com uma hipótese de uma aliança com João Roma, para Leão ser candidato ao governo até. Mas não conversamos com Roma sobre isso. Mas como a direção nacional está ligada a Bolsonaro, é natural uma aliança como essa. Mas nós fomos muito firmes, estamos ainda com o grupo, apesar de tudo que fizeram. Olha, o PP é um partido tranquilo, aqui não tem coronel, se já tivesse, depois do que aconteceu, já teria mandado todo mundo para p… que pariu; não, nós recebemos o vídeo pessoal de Wagner pedindo desculpas, ele continua tendo uma boa relação pessoal, politicamente é que não está tudo ok”.
O político lamenta mais uma vez que a comunicação do rompimento do acordo tenha sido de forma pública. Ele pontua que depois descobriu que os partidos da esquerda foram comunicados da decisão ainda no final de semana, e que provavelmente o PSD também sabia disso e ninguém, mas principalmente, nem Rui e nem Wagner, procuraram o partido para comunicar.
“1º que ao nosso ver foi um ato de pragmatismo político eleitoral. Wagner tenta uma situação, depois cai fora, e busca ter uma base unida com um acordo. Depois Otto não aceita, bate o pé que vai sair Senado, e aí mela tudo. Não acho que a entrevista de Wagner foi uma coisa pensada. Soubemos depois que o PCdoB e PSB estiveram com Rui no domingo e foram comunicados. Rui disse que Otto não estava aceitando e que iria ficar na cadeira e indicar o nome. O problema aí foi a forma do comunicado, foi muito dura, uma desconsideração. Olha, Leão é pessoa surreal, que acredita nas pessoas, um sonhador, ele não conspira contra ninguém. O partido está unido em torno de Leão e a decisão que tomar será a que a grande maioria do PP seguirá. O PP sabe de sua força, tamanho, importância, tem noção de tudo isso, não quer ser mais do que é. Não criamos nenhuma dificuldade, nunca trabalhamos a hipótese de sair do grupo, posso garantir, essa é uma questão concreta. Se as coisas não voltarem ao estado natural, nós vamos nos reorganizar de uma forma modesta, em respeito aos membros do partido. Nunca houve qualquer desejo do PP de sair, pelo contrário, nós sempre lutamos para manter nossa aliança, não fomos nós que decidimos destruí-la”, destaca o pepista.
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