O vice-governador da Bahia, João Leão, desembarcou em Brasília na última segunda-feira (7) magoado.
A anúncio do fim do acordo que o faria governador por nove meses, sem consultá-lo e de forma pública, pelo senador Jaques Wagner (PT) em entrevista a uma rádio com transmissão para todo estado, o deixou enfurecido e desolado.
A partir daí uma insatisfação geral tomou conta do Partido Progressistas.
A decisão por ir à Brasília foi para conversar com os caciques da legenda, Arthur Lira (PP-AL) e Ciro Nogueira (PP-PB), para avaliar qual decisão adotar diante do fim do acordo costurado com os caciques do PP, PSD e PT.
Os pepistas reforçaram mais uma vez que o acordo era cláusula pétrea para manutenção da aliança, mas que caberia aguardar para saber o que Lula iria oferecer. A essa altura o cacique do PT já havia entrado em contato com pepistas após a entrevista bomba de seu senador.
Na última terça-feira (9) foi a vez de Leão reunir com a bancada do partido em Brasília para fazer uma análise dos cenários que emergiram, que iria de ficar na base esperando uma reconfiguração dos postos ou migrar para bases adversárias, de ACM Neto (UB) e João Roma (Republicanos).
“Fizemos uma reunião que contou com todos os federais do partido e Jabes e João Leão. ACM Neto soube que estava acontecendo e apareceu lá com Paulo Azi. Logo em seguida chegou Elmar Nascimento e Bruno Reis. Ele ofereceu tudo, deixando a chapa à disposição, no caso a escolha do Senado ou a vice. Prometeu também um fortalecimento do partido, quer o PP como um dos principais parceiros no novo governo. Demonstramos o interesse mas nada foi fechado, ficamos de consultar as bases e avaliar, até a semana que vem faremos isso”, destacou uma fonte ocular sob anonimato ao OFF News.
A fonte classificou como uma desrespeito enorme o que foi feito pelos outros caciques com João Leão. Como mostrou o OFF News, até um movimento de apoio ao cacique foi criado.
“O que aconteceu foi sacanagem. No sábado (5), se reuniram Otto, Wagner e Rui e acertaram que o governador não iria mais se descompatibilizar. Nós achamos que ele não concordou, mas aceitou. Aí Wagner disse que conversaria com Leão, ele ou Rui, mas ninguém ligou até hoje… não se faz isso com um parceiro de 14 anos! Isso é uma coisa muito ruim, todo mundo tomou as dores. Foi a 3º reunião que fizeram sem Leão… E diante disso o PP resolveu deixar em aberto como será sua eleição. A impressão disso é que o PT não confia em deixar os azuis governar, que quer sempre apoio e nunca apoiar. Fizeram essa lambança para expulsar o PP ou por mero amadorismo. E agora o PP está livre para agir. Volto a dizer, o PP foi desconsiderado, desvalorizado, e agora se derem o governo a Leão ele conduzirá sem compromissos, estará livre leve e solto. O Wagner ficou de conversar e vamos ouvir o que tem a dizer, mas o clima no partido é de todos extremamente insatisfeitos”, ressaltou a fonte do PP.
Senado
Outra fonte ouvida em anonimato pelo OFF News aponta que o PP não fechou com Neto por causa de uma reunião solicitada por Lula e uma proposta feita para manter o aliado na base: “Lula prometeu que a chapa terá Wagner na cabeça, Otto Alencar na vice e João Leão no Senado. Ele virá à Bahia só para alinhar isso. É por isso que o PP não quis fechar com Neto”.
O deputado estadual da sigla, Robinho, avalia que após o desrespeito feito pelo PT, o melhor caminho para Leão se tornou o de migrar para base de ACM Neto.
“Eu acho que a proposta é interessente mediante a situação do momento. Analisando por Robinho, um grupo político fazer o que o PP fez com Leão, eu não abria nem a pouca para falar com esse grupo mais, eu Robinho. Estou na política, gosto, mas não aceito humilhação para sobreviver na política. O que o PT fez com Leão foi um trato, publicou o trato, e depois não cumprir, sem conversa, sem nada… Então eu acho que a saída para Leão é só essa, disputar o senado com quem hoje está na frente. Eu acho que é o melhor caminho para ele, ir para lá”, pontuou Robinho.
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