Se todos os parlamentares que confirmaram ao bloco de Oposição que irão assinar o requerimento para instalação da CPI dos Respiradores, para investigar a compra fraudulenta de R$ 48 milhões em respiradores pelo Consórcio do Nordeste, comprados e não recebidos, mantivessem suas palavras até o fim, a comissão de inquérito para investigar os meandros da transação de Rui Costa seria aberta com certa folga já no início de janeiro.

Para abertura da CPI é preciso 21 assinaturas, o bloco de Oposição conta hoje com 17 parlamentares.

Na última quinta-feira (16), a CPI dos Respiradores do Rio Grande do Norte terminou o seus trabalhos indiciando o governador Rui Costa, o seu ex-chefe da Casa Civil, Bruno Dauster, e o diretor-executivo do Consórcio do Nordeste, Carlos Gabas, além dos empresários da Casa.

O OFF News consultou fontes e parlamentares para saber se o bloco já encontrou os cinco que faltam para dar início aos trabalhos, em um desdobramenmto necessário e pedido pelos parlamentares do Rio Grande do Norte, que deixaram claro que o esquema de corrupção se deu na Bahia.

“Robinho. Mirela, Samuel Júnior, Luis Augusto, Dal, Aderbaldo, e até Ubaldino, que depende de Bruno Reis resolver a vida da Débora, sinalizarão que irão assinar. E digo mais, até Vitor Bonfim sinalizou que estuda essa possibilidade. O partido dele está com o presidente, ele não vê futuro, digamos assim, ao ficar na base do governador”, destacou articular com bom trânsito na vida política da Bahia e que assuste de perto essa coleta ao OFF News sob anônimato.

A ideia é que ao lado da instalação da comissão, diz a fonte, seja promovido um outro fato que também deve chamar atenção. As contas referentes ao ano do esquema criminoso ainda não foram apreciadas, diz a fonte sem entrar nos pormenores, mas deixando claro do que se trata.

Outra fonte que acompanha o processo encara de modo menos otimista. O motivo: o fio do bigode.

Muitos dos parlamentares que sinalizaram que assinarão o documento, que bradam cobrando apuração rigorosa dos fatos, são os mesmos que utilizam o argumento às avessas ao procurador o governo, alegando que está sendo pressionado para assinar e que precisa saber do governador e de seus operadores o que pode fazer para que sua pressão seja aliviada…

“Acho que Luis Augusto não assina. Dal talvez, estamos fazendo conta, prevejo algo bem apertado. Essa semana deveremos ter alguma contabilização mais concreta. Ainda é cedo para falar se vamos conseguir instalar. Tem Mirela, Ubaldino, Samuel que são nomes que podem assinar. Mas do outro lado tem Josafá, que é do bloco e que pode não assinar. Não estamos tratando isso com animação, prevendo folga, mas com o número mínimo. Nesas horas a postura do governo, alguns que citei, Luiz Augusto, Ubaldino, eles devem sofrer pressão e ficar receosos. Acho muito difícil algo ser apresentado antes do recesso, e depois durante o recesso o governo deve atuar para impedir que ocorra”, disse outra fonte também em ânonimato.

Fatos

Instrumento de minorias, a CPI depende de um meticuloso cálculo entre perdas e ganhos. Os parlamentares, principalmente os fisiológicos, enxergam nessa possibilidade uma janela de oportunidade para resolverem sua vida, em detrimento do que está em questão. A fonte afirma que além do componente político, cabe aos parlamentares analisarem com responsabilidade sobre o que o requerimento estará tratando.

“Precisamos levar em conta que são fatos concretos, fatos graves, e o que nós vimos foi um silêncio total na Bahia. Silêncio dos órgãos de controle e do governo. Diversos servidores da Bahia faziam parte da composição do Consórcio envolvido no escândalo. O que ocorreu foi muito grave. É claro que em um ano eleitoral, termina desgastando os partidos envolvidos no esquema de corrupção que foi provado. Tudo isso ocorreu no momento inicial da crise no ápice, foi uma coisa muito séria. É um fato administrativo relevante, que extrapola o movimento político de uma CPI. É preciso elucidar os meandro corrupção, já que o que vemos até agora foi o silêncio órgãos e do governo, o dinheiro sumiu, evaporou. Não estamos falando de um serviço que foi prestado de forma irregular ou com um valor maior que o de mercado, não, foram R$ 50 milhões que sumiram”, desabafa fonte.

Governo

O OFF News procurou o líder do governo, o deputado federal Rosemberg Pinto (PT), para saber se ele está monitorando os passos da oposição e se uma eventual CPI seria risco ao governo Rui Costa.

O petista é cético quanto a instalação da CPI.

“Acho difícil que isso seja verdade, que tenha os números. Eu não tenho informação, acho muito difícil, na base do governo não teria nenhuma motivação, até porque foi o governo do estado quem judicializou o processo, então não há que se falar na CPI quando o principal interessado, que é o governo do estado, entrou com uma ação, quem desistiu foi o MP, pedindo desistência alegando que não era de responsabilidade do estado da Bahia. Isso gerou um problema, as pessoas que estavam presas, já com condições de devolver o dinheiro, acabaram não devolvendo”, criticou Rosemberg Pinto.  

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