Os presidentes dos diretórios do PT estadual e de Salvador saíram em defesa do ex-presidente Lula, após ataques do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, contra uma eventual candidatura do ex-presidente da República ao comando do executivo federal.
Em entrevista ao A Tarde, Ciro classificou uma eventual candidatura de Lula como “oportunismo, molecagem, egoísmo e projeto pessoal”.
Ademário Costa, presidente do diretório do PT de Salvador, avalia que discursos de Ciro mostram que ele desistiu de ser uma “político de esquerda”.
“O certo é que Ciro desistiu definitivamente de ser uma personalidade política da esquerda do país. Essa sinalização é uma demonstração contundente de que ele procura se ajustar em um campo à direita e, ao mesmo tempo, herdar o antipetismo; e nesse sentido se colocar para a burguesia e a direita brasileira como a pessoa mais palatável, uma espécie de esquerda possível, uma esquerda atraente, uma esquerda que rejeita a própria esquerda”, destaca Costa.
O presidente do PT Salvador explica que, ao tentar agradar o mercado e setores conservadores atacando o PT, Ciro Gomes opta por uma tática que irá se voltar contra ele, contra o seu programa eleitoral.
“É nesse sentido que acho que o seu projeto tende a ser um projeto fracassado, porque a única forma de ter apoio dos setores do empresariado que estão ligados ao mercado financeiro sem ter uma base social de massa, uma base social e política eleitoral que tem o PT, é se ele abrir mão do seu próprio programa eleitoral e se travestir pouco a pouco se transfigurando até que volte às suas origens, um pouco mais próximo do PSDB ou até da Arena, que é de onde ele veio”, destaca Ademário Costa.
O presidente estadual do PT, Éden Valadares, afirma que os posicionamentos de Ciro não podem atrapalhar um eventual coalizão do campo democrático contra Bolsonaro: “As declarações e a postura de Ciro não podem atrapalhar a necessária união do campo democrático brasileiro, de todos que buscam superação da atual lógica negacionista, desumana e autoritária”.
Valadares pontua que não é “tempo de mais confronto gratuito e polêmica vazia”. Ele ressalta que: “Nós do PT, estamos com a perspectiva da candidatura de Lula. Mas não vacilaremos em apoiar outro candidato num eventual segundo turno contra Bolsonaro”. Éden Valadares destaca ainda que o adversário, para o PT, “não é Ciro, ou Dória; é a fome, o desemprego, a morte de milhares de brasileiros consequências do desgoverno do atual presidente”.
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