O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), classificou como uma coisa “ultrapassada” e “arrogante” a narrativa de que o próximo governador da Bahia tenderá a ser eleito com o apoio do candidato a presidente da República.
Neto disse que tem realizado pesquisas qualitativas para ver o “sentimento das pessoas” e que tem constatado que há uma dissociação entre eleições.
“Faço muita pesquisa qualitativa para compreendo o sentimento das pessoas. As pessoa estão claramente separando. Não há receio que eu seja governador; isso é um discurso ultrapassado, velho, arcaico, caindo aos pedaços, de que o governador tem que ser da mesma linha do presidente, isso é coisa de não sei quantos anos atrás. Quem quebrou esse discurso foi eu na prefeitura de Salvador, mantendo boa relação com os governos. Rui costa ajuda a derrubar esse discurso. Rui tem boa avaliação e se pega toda hora com o presidente, ninguém acha por isso que a Bahia não está sendo governada. Coisa ultrapassada, chata, artificial, arrogante, que o eleitor não aceita”, ressaltou ACM Neto em entrevista à Metrópole.
O político baiano reforça que o discurso de eleição casada é fruto da “arrogância” e que atua para dimunir o poder de decisão do eleitor. Neto voltou a classificar o projeto do grupo de Jaques Wagner (PT), seu virtual adversário, como um “olhar para o passado” e prometeu terminar obras e manter projetos do governo Rui Costa (PT) caso eleito.
“Quando fala que o apoio beltrano vai decidir eleição, isso é arrogância, é querer diminuir a livre escolha, a capacidade de escolha dos cidadões que vão às urnas. O centro do debate vai ser comparar o projeto que dialoga com o passado, um olhar para traz, e outro projeto que quer levar a Bahia para o futuro, com segurança. Houve avanço em algumas áreas ao longo 16 anos PT. Projetos exitosos vou preservar, obras iniciadas vou concluir. Não vou chegar desfazendo só porque foi feito pelo adversário”, pontuou ACM Neto.
Recuo
O candidato ao governo da Bahia lembrou do recuo feito em 2018, quando decidiu no ano da eleição que não seria candidato ao governo para ficar na prefeitura de Salvador, apesar de fazer movimentos durante toda ano de 2017 reforçando sua decisão de concorrer, o que teve impacto no planejamento do seu grupo: “meu grupo não me apoiava, boa parte da minha família e amigos queria que eu renunciasse. Foi uma das mais importantes decisões que tomei na vida, que exigiu aprendizado, maturidade, resiliência, capacidade olhar médio e longo prazo, se reinventar, acreditar no projeto que não acaba amanhã; tenho certeza de que política não é disputar espaço e poder, tem que ter propósito maior”.
Segurança
O ex-prefeito de Salvador também criticou os pontos sensíveis do governo da Bahia: segurança pública e educação.
Segundo Neto, o ex-governador Jaques Wagner (PT) e o governador Rui Costa (PT) não encararam de fato o problema da violência e da criminalidade na Bahia.
Ele lamenta que o estado seja campeão em homicídio e ocupe o último lugar na qualidade da educação.
“Desde 2017 que a Bahia é campeã nacional de homicídios. Os ouvintes sabem que existem lugares que a polícia não consegue entrar, bocadas dominadas pelo crime organizado, facções criminosas que atuavam no sul e sudeste e que estão aqui comandado crime. A Policia desvalorizada, policias desestimulados. Você chega no interior e tem cidade que tem 1 policial para cobrir o distrito e a zona rural. Graças a isso está aí o resultado: violência e insegurança. Muitos cidadãos de bem presos em casa, atrás das grades, e o bandido na rua. Nesse 16 anos, nem Wagner nem Rui encararam de fato o problema, mergulharam para resolver a situação”, atacou ACM Neto.



