A médica infectologista Luana Araújo criticou o Conselho Federal de Medicina, durante depoimento na CPI da Covid, nesta quarta-feira (2).
Ela afirma que já há estudos comprovando que o uso da hidroxicloroquina é ineficaz no tratamento da Covid-19, e que caberia ao conselho rever sua decisão de deixar nas mãos do médico a indicação do remédio em pacientes contaminados pelo novo coronavírus..
A infectologista ressalta que o argumento de autonomia médica não dá o direito ao especialista de receitar remédio sem comprovação para os mais diversos tipos de doenças.
“Isso não me dá o direito de experimentar nem inventar qualquer coisa acima do conhecimento científico. Se fizer isso, eu preciso entender o tamanho da responsabilidade que recai sobre mim como médica, eu respondo sobre isso. É bastante temerário colocar nas costas dos médicos ao redor do país a responsabilidade de usar uma medicação que não tem eficácia. E não é que não foi comprovado; a ineficácia já está comprovada, não é mais uma discussão”, desabafou Luana Araújo.
A médica avalia que as manifestações de políticos e especialistas em defesa da hidroxicloroquina acabou expondo de forma negativa os médicos, que foram constrangidos a receitarem o remédio:
“Considero que a classe médica foi muito exposta e de uma maneira não positiva. Grande parte dela colocada em oposição à população. Muita gente no desespero passou a exigir coisas que não são do melhor interesse do paciente. E muitos médicos se sentiram coagidos a fazer x ou y. Quando a gente coloca politização e polarização no meio médico, já está fazendo tudo errado”, destacou Luana Araújo.



