Secretário de Relações Institucionais afirma que participou do encontro para apresentar estratégia do governo e rechaça versão de que foi “encurralado”; “Minha formação é no PT, estou acostumado com divergências”, declara.
O secretário de Relações Institucionais da Bahia, Adolpho Loyola, afirmou nesta segunda-feira (6), durante participação no podcast Só Política, que encarou com naturalidade a reunião da federação partidária que discutiu a filiação de deputados e rechaçou a versão de que teria sido pressionado no encontro.
“Eu não fui encurralado nem colocado na parede”, declarou Loyola. Segundo ele, sua ida à reunião ocorreu dentro de um processo político legítimo e foi motivada pela necessidade de apresentar a estratégia do governo no debate sobre a composição da federação.
Formação política e debate interno
Ao comentar o episódio, o secretário destacou sua trajetória dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) e disse estar acostumado com divergências internas e discussões partidárias. “Minha formação política é no Partido dos Trabalhadores, eu vim do movimento estudantil, fui dirigente do PT por muito tempo. Então, eu estou muito bem acostumado com o debate”, afirmou.
Loyola explicou que a reunião foi convocada pelo presidente do PT com deputados da federação para tratar da entrada de parlamentares que desejavam integrar o grupo político. Segundo ele, sua participação não era uma obrigação institucional, mas uma escolha política baseada no diálogo. “Poderia não ter feito, poderia dizer: isso é um problema do partido, mas fui porque sou forjado no diálogo e na política”, disse.
Desconfortos naturais
Durante a entrevista, o secretário também reconheceu que a movimentação política pode gerar desconfortos internos, especialmente em momentos de rearranjo partidário. Para ele, no entanto, esse tipo de reação é natural em ambientes democráticos e de construção coletiva. “Alguns se sentem ameaçados, a chapa estava feita de um jeito, outros companheiros questionam, mas isso é da vida política”, pontuou.
Loyola ainda ressaltou que partidos como PT, PCdoB e PV historicamente convivem com um ambiente mais amplo de debate interno e divergência. Na avaliação dele, esse tipo de embate não deve ser interpretado como crise, mas como parte da dinâmica política das legendas de esquerda.
Rotina partidária
Ao rebater a repercussão do encontro, o secretário afirmou que episódios semelhantes se repetem em diferentes períodos eleitorais e fazem parte da rotina partidária. “Todo noticiário nessa época do ano diz que o PT está pegando fogo, que está tendo debate, soltando nota. Isso acontece sempre”, afirmou.
Loyola disse que participou da reunião em tom de diálogo, sem intenção de confronto, e que tratou todos os envolvidos em condição de igualdade. “Nem fui fazer enfrentamento, fui participar do debate”, concluiu.
A declaração de Loyola ocorre após a definição das chapas majoritárias para as eleições de outubro, com a oposição tendo ACM Neto (União Brasil) como candidato ao governo, Zé Cocá (PP) como vice, e os senadores Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL) como candidatos ao Senado, e o governo estadual mantendo Geraldo Júnior (MDB) na vice-governadoria, ao lado dos senadores Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT) . A fala do secretário busca dissipar a narrativa de crise interna na federação governista e reforçar a normalidade do debate político.



