Presidente da CBPM revela parceria com Imperial College de Londres e destaca humanismo do patrono como pilar da inovação; “O mundo está de olho nos minerais críticos do Brasil, precisamos processá-los aqui”, afirma.
O presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Henrique Carballal, inaugurou nesta terça-feira (31) o Minex Hub Professor Hélio Rocha, em Salvador. O espaço foi concebido como epicentro da inovação e do desenvolvimento tecnológico do setor mineral baiano, conectando universidades, centros tecnológicos e a indústria para transformar a riqueza do subsolo em desenvolvimento social e econômico.
Em discurso marcado pela defesa da soberania nacional, Carballal alinhou a estratégia da CBPM às recentes declarações do presidente Lula (PT) sobre a proteção das riquezas brasileiras. O gestor destacou que o foco da Bahia não é apenas a extração bruta, mas o domínio do ciclo tecnológico, especialmente no que diz respeito aos minerais críticos e às terras raras.
“O mundo está de olho nos minerais críticos que existem no Brasil. As terras raras da Bahia, inclusive, estamos negociando com uma empresa não para vender nossos minerais, mas para processá-los aqui. Precisamos que as universidades e centros tecnológicos da Bahia desenvolvam a tecnologia para esse fim”, afirmou Carballal.
21 startups e parceria internacional
O hub abrigará 21 startups focadas em soluções para o setor mineral. O grande destaque foi a internacionalização do projeto: Carballal confirmou uma parceria com o Imperial College de Londres, uma das instituições de ensino e pesquisa mais prestigiadas do mundo, que resultará na instalação de uma startup inglesa no espaço.
“Ao chegar na CBPM, com tantos desafios, não deixamos de olhar para a criação de um hub de mineração. Teremos 20 startups abrigadas e patrocinadas pela CBPM aqui para produzir conhecimento e inovação. E teremos uma 21ª startup, inglesa, fruto da nossa parceria com o Imperial College de Londres”, detalhou.
Carballal agradeceu à mineradora Brazil Iron, que atua no interior da Bahia e foi a ponte para a viabilização do convênio com a universidade britânica. Segundo ele, o acesso às estruturas e ao know-how do Imperial College coloca a Bahia em um patamar diferenciado na pesquisa mineral global.
Homenagem a Hélio Rocha
Em um depoimento pessoal e carregado de emoção, Carballal justificou a escolha do patrono do espaço. Mais do que uma homenagem póstuma, ele descreveu a relação com o professor — falecido aos 99 anos — como uma “pós-graduação infinita” que moldou sua visão sobre tecnologia e gestão.
“Professor Hélio Rocha educou gerações. Ele ia dar aula no período da ditadura com uma escova de dentes no bolso, pois sua única preocupação, caso fosse preso, era garantir a higiene no dia seguinte. Eu não sou filho biológico dele, mas sou filho intelectual; tive a oportunidade de absorver dele muito conhecimento”, declarou Carballal.
Ao rebater possíveis questionamentos sobre o batismo de um centro de alta tecnologia com o nome de um intelectual do século XX, Carballal foi enfático: a essência da inovação é, antes de tudo, humana. “Como um homem que faleceu aos 99 anos consegue influenciar algo que tem a ver com profunda tecnologia, com inteligência artificial e computação quântica? Tem tudo a ver. Porque o mais importante na mineração, na tecnologia ou em qualquer coisa que a gente realize é o ser humano. Ele me ensinou isso e vai ensinar a todo mundo que passar por aqui”, pontuou.
Resistência e realização
Carballal revelou ainda que a concretização do Hub enfrentou resistências de setores contrários ao avanço da estatal. “Quem está ao meu lado sabe o quanto forças poderosas tentaram impedir que esse hub fosse inaugurado. O mais importante é que ele foi feito com recursos próprios do Estado e da empresa, com apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia e do governador Jerônimo”, afirmou.
A escolha do nome, segundo ele, foi uma decisão institucional unânime da diretoria da CBPM, e não um ato pessoal. O nome de Hélio Rocha “engrandece o hub” por representar um nacionalismo pautado no desenvolvimento do povo, servindo de inspiração para as startups que agora passam a operar no local em busca de soluções soberanas para a mineração baiana.



