Senador do Republicanos afirma que cúpula petista concentrou candidaturas na chapa “puro-sangue” e que hoje é contra aumento de impostos; também revela que votou em Bolsonaro em 2022 para “satisfazer petistas radicais”.
O senador Ângelo Coronel (Republicanos-BA) afirmou, em entrevista ao Farol da Bahia nesta terça-feira (28), que a decisão da cúpula do PT baiano de concentrar as principais candidaturas na chapa majoritária – com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e os ex-governadores Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT) – revelou “ganância pelo poder” e foi o estopim para seu rompimento com o grupo.
“Os próprios membros da cúpula da Bahia, os dois candidatos ao Senado, o próprio Rui e o próprio governador, que inventaram a chapa puro-sangue, demonstrando realmente uma ganância pelo poder muito grande, não abrindo para outras agremiações também postular esses três cargos que são os mais importantes”, disse.
Coronel garantiu que não se incomodou com a atitude: “Para mim terminou sendo uma carta de alforria para eu começar a trilhar em um outro caminho e com o novo agrupamento”.
Críticas à política econômica e impostos
O senador afirmou que a saída lhe deu mais liberdade no Senado, já que antes havia pressão para alinhamento automático às pautas do governo federal, especialmente em temas econômicos. Ele disse ser contra aumentos de impostos e criticou a carga tributária brasileira.
“Sou contra terminantemente essa elevação de impostos. Eu acho que o parque industrial, fabril, comercial e de serviço do Brasil estão todos asfixiados com a carga tributária fora do comum, onde o governo termina sendo sócio majoritário das empresas sem investir um centavo e sem correr nenhum risco”, afirmou.
Chapa oposicionista e apoio a Flávio Bolsonaro
Coronel agora forma chapa ao Senado com João Roma (PL) , integrando a composição majoritária da oposição com ACM Neto (União Brasil) (governador) e Zé Cocá (PP) (vice). Ele minimizou disputas internas: “São quatro candidaturas. Cada um vai disputar seu espaço”.
O senador já declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Sobre o governo atual, afirmou: “O governo atual já cansou, venceu e quando algo é vencido na prateleira ou dentro da geladeira, você tem que comprar um novo, você tem que trocar”.
Coronel afirmou não ser contra o fim da escala 6×1, mas criticou o timing do governo: “O governo do presidente Lula deixou para trazer essa pauta bomba faltando cinco meses para as eleições. Por que não fez isso antes?”. Defendeu a desoneração da folha para os setores atingidos.
Sobre o PL da Dosimetria, em que foi o único senador a se abster, disse que agora seguirá a orientação do Republicanos: “Eu não vou sair como ave desgarrada”.



