Ministro da Casa Civil relembra apoio político ao prefeito de Jequié e diz que surpresa ocorreu há quatro anos, não agora, com aliança do gestor à chapa de ACM Neto; “Para mim foi golpe de um”, declara.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT) , subiu o tom nesta sexta-feira (27) ao comentar o cenário político envolvendo o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP) , que foi anunciado como vice na chapa oposicionista liderada por ACM Neto (União Brasil) . Em entrevista à Rádio Sociedade, Rui afirmou que não foi surpreendido com a movimentação do gestor, porque a “traição” política já teria acontecido anteriormente, em 2022.
“Para mim foi golpe de um. A surpresa foi em 22, quando ele traiu. Hoje não, eu nunca acreditei. Eu só sou traído uma vez. Ninguém me engana duas vezes”, declarou o ministro.
Relato pessoal da relação com Zé Cocá
Rui Costa fez um relato pessoal e político da relação que manteve com Zé Cocá ao longo dos últimos anos. Segundo o ministro, o atual prefeito de Jequié recebeu apoio direto dele desde antes de ganhar projeção política regional. Rui afirmou que conheceu Zé Cocá quando ele ainda era prefeito de uma cidade pequena e que, posteriormente, o convidou para integrar a estrutura do governo estadual.
“Eu chamei o ex-prefeito para vir ajudar a organizar os consórcios de saúde. Nomeei ele num cargo do Estado”, disse.
Apoio decisivo para a carreira de Cocá
O ministro também relatou que foi decisivo para a ascensão eleitoral de Zé Cocá. Segundo ele, foi procurado pelo aliado em 2017, quando o hoje prefeito manifestou o desejo de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). “Ele disse: ‘Rui, eu acho que tem um vazio naquela região. Você me ajuda a disputar uma vaga de deputado estadual?’ Eu disse: ‘Eu te ajudo’”, contou.
Na sequência, Rui disse que efetivamente apoiou o projeto político do aliado, que acabou eleito deputado estadual. Mais tarde, segundo o ministro, o mesmo apoio se repetiu quando Zé Cocá decidiu disputar a Prefeitura de Jequié em 2020.
Recado político
Embora sem detalhar nominalmente todos os movimentos mais recentes da política baiana, Rui Costa deixou evidente que há um rompimento político consolidado com Zé Cocá e que a relação, antes próxima, foi substituída por desconfiança e mágoa. Ao dizer que “não acredita mais” e que “ninguém o engana duas vezes”, o ministro envia um recado não apenas ao prefeito de Jequié, mas também ao grupo político que disputa influência no interior da Bahia.
A declaração ocorre em meio à consolidação da chapa oposicionista, que tem ACM Neto como candidato ao governo, Zé Cocá como vice, e os senadores Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL) como candidatos ao Senado. O governo estadual ainda não oficializou sua chapa majoritária, que deve manter Geraldo Júnior (MDB) na vice-governadoria.



