Ex-prefeito de Salvador esclarece que prestou consultoria à instituição em 2022, após deixar cargo público, e que contratos foram formalizados com recolhimento de impostos; estranha vazamento seletivo de informações sigilosas
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) , divulgou uma nota oficial nesta quarta-feira (11) para esclarecer as denúncias de que teria recebido R$ 3,5 milhões do Banco Master, instituição no centro de um escândalo financeiro. Na nota, Neto afirma que os serviços de consultoria foram prestados de forma legal, com contratos formais e pagamento de impostos.
“No final do ano de 2022, quando não mais exercia qualquer cargo público, constituí a empresa A&M Consultoria LTDA. A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a REAG. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, diz a nota.
Regularidade das empresas e dos serviços
O pré-candidato destacou que, à época da contratação, não havia qualquer informação que desabonasse as empresas. “Importante destacar que, no período do contrato, não existia nada que desabonasse as empresas citadas, sendo ambas atuantes em segmento empresarial rigidamente regulado. Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação”, afirma.
ACM Neto também defendeu a compatibilidade dos valores recebidos com os serviços prestados. “Os honorários recebidos, os rendimentos declarados e os dividendos distribuídos são inteiramente compatíveis e congruentes, uma vez que, no mesmo período, foram prestados serviços de consultoria também a outros clientes. Vale frisar que tão logo cessou a prestação dos serviços, os contratos e pagamentos foram finalizados.”
Vazamento seletivo
Na nota, o ex-prefeito expressou estranhamento com a forma como as informações vieram a público. “Não posso deixar de registrar o estranhamento que causa o vazamento seletivo e fragmentado de um documento que condensa informações protegidas por sigilo bancário e fiscal, ao qual não tive acesso e estou tendo notícia da existência pela imprensa, razão pela qual sequer posso fazer algum juízo acerca da conformidade e legalidade desse documento”, conclui.
A denúncia sobre os valores recebidos por ACM Neto do Banco Master ocorre em meio às investigações sobre fraudes bilionárias na instituição, que levaram à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e provocaram desdobramentos políticos em Brasília e nos estados.



