Com a tradição da participação da Câmara de Salvador nos eventos culturais e religiosos da cidade, os vereadores se preparam para a tradicional Lavagem do Bonfim, nesta quinta-feira (15), considerada a maior festa popular e religiosa da Bahia, iniciada no século XVIII. A partir das 8h, os parlamentares prestigiam a cerimônia inter-religiosa no adro da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Em seguida, acompanham o cortejo popular, em uma caminhada de cerca de oito quilômetros pelas ruas da Cidade Baixa até a Colina Sagrada, onde ocorre a lavagem das escadarias da igreja.
“Como ocorre todos os anos, a Câmara de Salvador se faz presente na Lavagem do Bonfim, que representa um importante ato de fé, de agradecimento, onde fazemos pedidos de paz e proteção para nossa Salvador e para a Bahia”, destacou o presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), ao reforçar o sincretismo religioso representado pela festa e o seu papel no calendário cultural da cidade.
“É uma festa com uma grande simbologia na cultura e identidade baiana, reconhecida como Patrimônio Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas acima de tudo, que fortalece a devoção de milhares de baianos e turistas de todo o mundo, que se vestem de branco para reverenciar o Senhor do Bonfim”, reiterou Muniz, ao destacar a importância da tradicional lavagem, que este ano tem como tema: “O Exercício do Ministério Público de Jesus, o Amado Senhor do Bonfim”.
História
A Lavagem do Bonfim é o maior evento popular e religioso de Salvador antes do Carnaval. Segundo a Fundação Gregório de Mattos (FGM), organizadora da festa, a construção do santuário de peregrinação teve início no século XVIII, com a chegada à Bahia do capitão de mar e guerra Theodósio de Faria.
O capitão português trouxe de Lisboa uma imagem semelhante à venerada na cidade de Setúbal, como agradecimento por ter sobrevivido a uma tempestade em alto-mar. Em cumprimento a uma promessa, decidiu construir uma igreja no ponto mais alto que avistasse, de onde fosse possível acompanhar a entrada da Baía de Todos-os-Santos.
A Basílica Santuário Nosso Senhor do Bonfim, datada de 1754, é considerada o principal símbolo do sincretismo religioso da Bahia. A lavagem teve início em 1773, embora sua origem exata não seja consensual entre os historiadores. Uma das versões aponta que a tradição surgiu após um soldado sobrevivente da Guerra do Paraguai lavar as escadarias da igreja em sinal de agradecimento.
Outra hipótese indica que o costume teve origem na própria comunidade, responsável pela limpeza da basílica antes da realização da Festa do Senhor do Bonfim. Há ainda registros que associam a prática aos devotos de São Gonçalo, que mantinham o hábito de lavar o templo antes das celebrações dedicadas ao santo. Também circula a interpretação de que a igreja necessitava de limpeza periódica, prática que acabou incorporada ao ritual religioso e consolidada como tradição ao longo do tempo.
Independentemente da versão adotada, a Lavagem do Bonfim se consolidou como a maior manifestação popular religiosa da Bahia. Em reconhecimento à sua relevância histórica, cultural e simbólica, a festa foi tombada, em 2013, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), recebendo o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.



