A provável ida do deputado federal Elmar Nascimento (UB) para o comando do ministério de Minas e Energia coloca em xeque o discurso da principal liderança da Oposição no estado, ACM Neto (UB), em duas frentes.
Apesar da expressiva votação, ACM Neto (UB) não conseguiu se eleger e viu no partido, no pós-urnas, um forte movimento contra ele, oriundos da parte do presidente e do vice do União Brasil, Luciano Bivar e Antônio Rueda, que trabalharam para entregar o União a Lula.
Assim como ocorreu com João Roma em 2020, a ida de Elmar Nascimento para ser ministro de Lula ocorre à revelia de ACM Neto. Após a nomeação de Roma, à época, o ex-prefeito de Salvador rompeu com seu ex-chefe de gabinete alegando traição e que o ato soaria como uma digital sua no governo Jair Bolsonaro. Em que pese o fato de Roma ter sido mais próximo a Neto do que Elmar, o deputado federal de Campo Formoso é tido como um dos homens da linha de frente do ex-prefeito de Salvador e nas eleições de 2022 atuou de forma dura contra o PT e articulando prefeitos e lideranças para apoiar ACM Neto.
Nos bastidores ainda é uma incógnita como será o comportamento de Neto após a confirmação de Elmar como ministro.
Ao OFF News, um parlamentar que pediu reservas, disse que “sem ter vencido a eleição”, ACM Neto não tem “força para barrar a ida de Elmar”, que fará do órgão um “barco para abrigar grande parte do time” de oposição. A avaliação é de que desta vez, por força do contexto adverso que se criou com sua derrota, ACM Neto (UB) terá que engolir a seco a indicação de Elmar.
Uma outra fonte também ligada ao partido vai além e adverte que além de não reclamar, Neto terá que ficar de olhos bem abertos para não “acabar sem partido”, dado o bom trânsito do deputado federal de Campo Formoso com a dupla Bivar-Rueda.
Há também outro discurso de ACM Neto (UB) que será colocado em xeque à reboque: o de oposição no estado. Com Elmar no governo Lula, ACM Neto terá dificuldades em utilizar o discurso de oposição ao PT na Bahia, tanto nas eleições municipais como na estadual. Como forma de amenizar o problema, o União Brasil liberou três dos seus diretórios mais antipetistas, Bahia, Rio Grande do Sul e Goiás, para adotarem posição autônoma.
A tendência é que ACM Neto, ante a ‘lulização do União Brasil’, se torne uma das vozes solitária da legenda.



