O doutor em História e professor da UFBA, especialista em história política, Carlos Zacarias, avalia que uma ruptura na aliança entre o PP-PSD-PT, os maiores partidos que controlam o executivo estadual, poderá contribuir para uma vitória do líder das pesquisas, ACM Neto (União Brasil), já no 1º turno.
Zacarias acredita que sem um candidato testado e sem uma das forças, o PT, que é o partido com o nome do executivo, poderá perder ramificações em importantes colégios eleitorais do estado.
“O que parece que seja fundamental para o grupo que governa a Bahia hoje é manter essa composição, para que seja capaz de entrar em nível de competitividade com ACM Neto, que já está fazendo suas articulações, trabalhando também para trazer grupos e lideranças do interior que são partes, componentes dos que governam a Bahia, para o seu seu projeto político. ACM Neto sabe que o PSD e o PP são partidos muitíssimo importantes na Bahia porque elegeram a maioria dos prefeitos, e ACM Neto sabe que o PT tem um imenso know how de fazer essas composições e mesmo sem ser um partido que administra muitas prefeituras na Bahia, o PT tem acordo com deputados, com lideranças locais, acordos esses que passam também pelo intermédio do PSD e do PP para acessar aos grandes espaços deste estado gigantesco que é a Bahia”, explicou Zacarias.
O especialista em história política pontua que com o novo cenário colocado após Jaques Wagner (PT), senador do PT e ex-candidato do grupo, sinalizar que a tese que previa Rui Costa senador e Otto Alencar governador estava desfeita e que o PT apresentaria um novo nome para cabeça de chapa, ele causou uma surpresa e criou um ambiente de incerteza.
“Foi uma surpresa porque o que se vinha ventilando eram outras alternativas, inclusive com Otto encabeçando a chapa se não fosse através dele, e o que Wagner disse é que o nome vai ser do PT e tem que ver como é que vai ser o arranjo. Os nomes são de Moema Gramacho, Caetano e Jerônimo Rodrigues, esse último nunca disputou cargo eletivo, é o secretário de Educação e seriam um nome ‘desconhecido’. A gente precisa saber como o PT vai fazer esse arranjo e certamente ACM Neto vai trabalhar duro para minar as forças, dividir as forças que governam Bahia, porque aí sim ele entraria com grandes possibilidades e levar o pleito inclusive no 1º turno, porque o PT só teria condições de emplacar uma candidatura com chance de chegar ao segundo turno e ganhar eleição se mantiver o acordo todo para alcançar esse essa parte da Bahia que o PT perdeu o espaço ou que nunca alcançou”, reforçou Carlos Zacarias.
Capilaridade
O doutor em história prevê um cenário adverso para o PT manter o comando da máquina estadual, mas faz uma ressalva: o PT se tornou-se um partido com grande capilaridade no estado.
“O que acontece é que no campo da oposição ao grupo que governa a Bahia hoje nós temos ACM Neto e que, diferente da última candidatura da Oposição, é uma candidatura forte, larga na frente nas pesquisas e só perdia nas pesquisas para Jaques Wagner quando ele aparecia colado com Lula. Acho que a parada é muito difícil para o PT; mas tenha em conta que o PT se tornou um partido com grande capilaridade no estado, que venceu quatro eleições consecutivas, todas no primeiro turno, algumas delas contra fortes candidatos, com Paulo Souto e César Borges, e ainda fez coligações importantes com legendas que elegeram centenas de prefeitos em 2020 (especialmente o PSD e PP). Então, mesmo que a saída de Wagner dê vantagem a Neto, a parada deve ser dura”, sinalizou o especialista em história política.
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