Exclusivo: Antes de dar entrevista bomba Jaques Wagner previu os cenários possíveis, entre eles o do PP desembarcando do arco de aliança

Jaques Wagner

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Na manhã desta segunda-feira (7), sem arrodeios, o senador do PT, Jaques Wagner (PT), em entrevista à Metrópole, comunicou que o plano que estava em vigência até as primeiras horas da manhã, que previa o senador Otto Alencar (PSD) como candidato ao governo e Rui Costa ao Senado da República, estava desfeito.

A decisão afetou principalmente um partido que não estava tensionando para fazer parte da chapa e que foi o 1º a declarar apoio à estratégia criada pelo próprio governador da Bahia: o PP.

Para 2022, o PP trabalhava com duas hipótese.

Na primeira e mais difícil de se concretizar mantendo a unidade, João Leão seria indicado como candidato ao Senado Federal, proposta que encontraria resistência pelo PSD, já que o senador Otto Alencar (PSD), desde o ano passado, havia manifestado o interesse em renovar o seu mandato. E neste caso em específico, tempo de cargo é posto.

“Leão dizia nas entrevistas que era candidato ao governo, mas nas reuniões internas colocava que queria ser candidato ao Senado Federal”, disse uma fonte que acompanhou o processo, sem se identificar, ao OFF News.

A segunda hipótese que surgiu agradou o PP e era com ela que o partido caminhava para o consenso, através da entrega de um mandato tampão para João Leão, a quem caberia conduzir o estado da Bahia nos últimos nove meses de governo.

“Eles encaravam como uma forma de aumentarem a bancada, mas ao mesmo tempo prestarem uma homenagem ao vice-governador”, explica a fonte os argumentos reiterados pelos pepistas.

A tese que empolgou o PP veio com uma garantia de concretização e um passo importante neste sentido foi o de fazer de João Leão o chefe da Casa Civil. Foi assim que Jaques Wagner (PT) fez com Rui Costa, que se tornaria governador da Bahia ao término de seu mandato.

A promessa do governador era baseada no fato de que conseguiria obter apoio do seu partido para concorrer ao Senado Federal.

Rui Costa sempre colocou que seria um desperdício com a boa avaliação que tem não estar na chapa.

“Era um plano de Rui Costa, o PT não topou e nem iria topar. O governador todo mundo conhece, ele só conversa com o entorno dele, é só ele. Essa foi uma mensagem mais que clara que não se resolve a questão de vontade com a popularidade e o peso da Caneta”, diz a fonte.

A fonte pontua que desde 2021 Wagner já vinha dando sinalizações de que não seria candidato: “para fora, nas entrevistas, ele dizia que era candidato, mas para dentro, nas reuniões, ele dava claras sinalizações para que o governador Rui trabalhasse sua sucessão, escolhesse um nome e ele não se movimentou”.

Questionado se falta de ação por parte de Rui Costa foi motivada por um plano de lançar-se candidato, a fonte explica que esse é apenas um dos fatores: “Rui acreditava que na hora H Wagner iria resolver, que sairia como candidato, ele cogitava até uma chapa com Wagner governador e ele como candidato ao Senado”.

A reunião com Lula, em agosto, foi a sinalização que Wagner precisava para desistir de vez da candidatura. Em determinado momento da conversa sobre os cenários, Rui falou que não teria problema nenhum em ficar até o fim do governo e brincou que após encerrar o mandato, ele iria para “roça cuidar das galinhas”. Foi neste momento que foi interrompido por Lula: “p…. nenhuma, você tem um compromisso maior, eu preciso de você, o Brasil precisa de você”.

Mas não foi somente o fato de Rui Costa não encontrar guarida no PT que contou decisivamente para o fim da chapa. Um dos fatores foi revelado publicamente por Wagner, que antes de comunicar disse que havia se reunido com Otto Alencar e Rui Costa no final de semana.

“Fui ao meu partido e obviamente o PT não acolheu tirar um vermelho e botar um azul. Conversamos com Otto, e ele insistindo que não era demanda dele, que preferia ficar no Senado; ele gostou do Senado, foi bem em várias coisas. Conversamos, e esse parto tem que ser rápido, se não você fica sangrando na rua. Ele [Otto] não demostrava tesão para campanha [ao governo], e sem tesão não rola. Se o cara não for sangue quente…”, disse Wagner à rádio Metrópole.

A falta de vontade do senador pode ser explicada pelo fato de ter sido atraído pelo Senado, mas também pelos contornos que o governo João Leão poderia tomar.

“Haviam dúvidas sobre como seria um governo de João Leão e um receio de que neste processo ele fosse picado pela mosca azul. Wagner não tomou uma decisão por conta própria, a entrevista de hoje é resultado de um processo. Serviu como freio de arrumação e previu vários cenários, inclusive com o PP decidindo por não caminhar conosco, mas é claro, isso é pior cenário, nos contamos com o PP em nossa vice”, diz a fonte.

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