Exclusivo: Salvador terá 1º faculdade popular, com temática antirracista e com foco na formação da juventude negra periférica

Steve Biko

Compartilhe essa notícia!

Será inaugurada em Salvador a Faculdade Steve Biko, primeira instituição superior na Bahia voltada para uma educação pautada no antirracismo, inclusão e diversidade e com o objetivo de reverter a lógica eurocêntrica e colonial do conhecimento.

A faculdade será parte do instituto Steve Biko, que hoje oferece curso preparatório para universidades, voltado para estudantes negros de baixa renda, além de formações em Direitos Humanos e Cidadania.

A entidade está em funcionamento há três décadas.

Um dos criadores da Steve Biko e fiador da proposta da Faculdade, o vereador Sílvio Humberto (PSB) falou com exclusividade ao OFF News sobre o perfil e o foco que terá o o instituto de educação superior com recorte racial na cidade mais negra fora da África.

“A decisão está tomada. O formato surgiu com a ideia, há dez anos, de termos uma faculdade com uma característica popular, comunitária. A Biko, ao longo desses 30 anos de existência, se prepara para dar esse salto levando o acúmulo dos projetos sociais, de liderança, de formação de professores, pioneira da juventude nas área da ciência e tecnologia e inovação. A gente sempre diz que vamos completar 30 anos promovendo ações afirmativas. A sinalização para fundação da faculdade é a prova de que podemos materializar nosso sonhos mesmo diante de um cenário tão complicado e complexo como este que estamos vivendo. É um sinal de que estamos no caminho certo para alcançarmos o propósito de igualdade racial e social para valer, e a educação é fundamenta no processo”, destacou Humberto.

Modelagem

O parlamentar do PSB explica que o instituto de ensino superior deve ficar na seda da Steve Biko, localizada no bairro do Campo Grande, em Salvador.

“Ao longo desses 30 anos tivemos a atitude de aumentar o número de estudantes negros nas universidades e agora nos encaminhamos para terminar a reforma em nossa sede que fica defronte à Casa da Itália para materializarmos esse sonho da Faculdade. Tem ainda um caminho a ser percorrido, mas confio muito na ousadia que nos acompanha há 30 anos. Isso é mais uma audácia, desafiar esse sistema excludente que continua a subalternizar as pessoas, com violência com relação aos corpos negros, violência física, psicológica, econômica e social. Essa é mais uma resposta, se juntando a outras iniciativas que entendem que a educação é o melhor caminho transformar o estado das coisas. Educação de qualidade com oportunidades, porque se não tivermos oportunidade para essas pessoas qualificadas, essa conta não vai fechar”, sinalizou Humberto que é economista.

Questionado sobre quais cursos devem ser oferecidos, o parlamentar e ativista dos direitos da comunidade negra explicou que no primeiro momento serão cursos na área de humanas: “nessa proposta inicial serão ofertados cursos de pedagogia e história, com recortes que irão questionar a visão eurocêntrica sobre a história do mundo, história geral e do Brasil. Estamos em um processo aberto para depois incorporarmos cursos nas áreas de tecnologia. A ideia é avançar continuamente. Esse salto é importante nos nossos 30 anos, é fruto desse amadurecimento, agora é vencer a burocracia é colocar carro na rua. Temos muitas expectativas e a receptividade está sendo muita boa”, ressaltou o vereador do PSB.

O ativista do movimento negro pontua que ainda não há como falar de valores, já que para sair do papel a faculdade ainda precisa de fundos. Mas reforça que a ideia é que a depender dos patrocinadores, se cobre o menor valor possível ou até mesmo, a depender do aporte, possa ser gratuita.  

“A ideia é construir essa modelagem financeira baseada no que angariarmos com os apoiadores. Eu gosto sempre de citar um escritor que fala que é fundamenta saber separa algo que é extraordinário do que é possível. Ao tratar de Nelson Mandela, ele o classificou como alguém que conseguiu separar as duas coisa e fez algo extraordinário. Nos 10 anos de políticas afirmativas e nos 30 anos do Stive Biko, a gente considera que promover educação para pessoas da periferia, pobres, indígenas, é um ato político”, reforçou Sílvio Humberto.

Steve Biko

A entidade homenageia Stephen Bantu Biko, um ativista anti-apartheid da África do Sul na década de 1960 e 1970. Líder estudantil, fundou o Movimento da Consciência Negra, que capacitava e mobilizava grande parte da população negra urbana. Desde sua morte sob custódia da polícia, ele foi chamado de mártir de um movimento anti-apartheid.

Deixe seu comentário

guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

Últimas