A bancada evangélica da Câmara Municipal de Salvador não aceita o termo Cultura LGBTQIA+ no Plano de Cultura e por isso trava votação do Plano de Cultura, enviado por Bruno Reis, que estabelece as prioridades nas ações culturais para os próximos 10 anos.
Na sessão desta quarta-feira (1), a vereador e pastora evangélica, Débora Santana, afirmou entender o termo apenas como orientação sexual.
“Nesse plano que está pautado hoje querem colocar LGBT como cultura, para nós – respeitamos orientação sexual de cada pessoa -, a gente não tem como estar pactuando com algo que nos torna, como cristãos, nesse sentido… Precisamos ser coerentes, estamos tratando de uma Cultura de Salvador; conversando com amigo, ele é LGBT, ele não entende assim, como cultura. A gente precisa entender que precisamos ser coerentes. Eu, como cristã, não entendo LGBT como cultura e sim como orientação sexual, deixo aqui meu desabafo e posição”, destacou Santana.
Política Pública
Única LGBT da Casa, a vereadora Laina Crisóstomo (PSOL) desabafou durante seu discurso na tribuna e, em lágrimas, lembrou que há poucos anos a homoafetividade era considerada doença.
“Por ser a única parlamentar LGBT assumida eu não consigo entender o problema se não LGBTfobia, apagamento de nossa história. Existe LGBT no direito, na saúde, em várias áreas, sabe porque? Não somos uma sigla apenas, nos existimos. Há 31 ano lutamos para não sermos mais entendido como doença. Há 31 anos atrás éramos tratadas com estupro corretivo, para serem tratadas de algo que não é doença. Vocês não sabem o que isso, não sentem na pele todo dia o dano que a LGBTfobia nos causa. Não tem problemas ao sair com companheiras, não são ameaçadas de morte. Não foi influenciada, sou LGBT e amo mulheres, sou diversa, não sou doente, não sou pecadora. Quero registar como mulher sapatão que todos os dias resisto para existir. Se não temos compromisso com política publica para toda população da cidade, não estamos fazendo política pública para cidade”, destacou Laina em lágrimas.
O relator do texto, o vereador Sílvio Humberto (PSB), lamentou o fundamentalismo que está travando o texto.
“Não é conjunto de letrinhas [LGBTQIA+], é uma identidade que incomoda muito. Quando tem parada Gay, não é manifestação artística? É Cultura, e precisa entender que cultura só quem consegue produzir são seres humanos. Comunidade LGBT paga imposto, IPTU, ISS, contribui com o bolo tributário e na hora de ser alcançada política publica, do dinheiro público, não pode ser garantido. Não há destinação de verba para o centro LGBTQI+? Quando fundamentalismo desce, detona as pontes”, criticou Humberto.
A sessão foi encerrada por falta de acordo com relação ao texto.


