Diretor da Central do Carnaval abandona audiência do Carnaval e acusa sindicalistas: “capitalistafóbicos”

Carnaval Joaquim Nery Filho

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A audiência pública da Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada de Eventos, ocorrida na manhã desta terça-feira (23), foi marcada por atrito do trade do Carnaval com membros de entidades sindicais e com os especialistas de saúde.

A audiência começou com uma explanação dos representantes da Secretária de Saúde do governo da Bahia e da Prefeitura de Salvador.

“Desde de meados de setembro que os casos não sobem, mas não cai, o que é extremante alarmante. Essas doenças de transmissão respiratória, sempre que não há uma queda, há um risco de alta repentina. A Covid, mesmo depois da alta, tem as sequelas, que tem pressionado bastante o sistema de saúde”, destacou a coordenadora do Centro de Operações de Emergência da Secretaria da saúde do estado (Sesab), Izabel Marcílio.

A diretora do Hospital Couto Maia, Dra. Ceuci Nunes, afirmou que a realização de uma festa como o Carnaval representaria um risco grande na Bahia.

“Os profissionais de Saúde estão respirando agora, será que vale esse risco de juntar milhões, com toda aglomeração que o Carnaval proporciona? Vá para o fundo do Chiclete com Banana para ver como é aglomeração. Essa decisão precisa ser muito pensada, precisamos evitar que baianos morram e o colapso. Não temos o mesmo numero de leitos que tínhamos em abril e maio, leitos foram fechados. É um risco grande a gente fazer uma festa dessa proporções; agora para fevereiro, isso está muito em cima”, destacou Ceuci Nunes.

Impacto

O representante do Comcar, Flávio Souza, afirmou que se o Carnaval não for realizado, haverá um impacto na economia baiana. Segundo ele, muitos músicos estão passando fome. Ele disse que toda semana recebe ligação de músicos pedindo dinheiro emprestado por estarem passando fome. Ele reclamou que estão colocando o Carnaval como um vilão e lembra que caso não seja realizado o festejo, no pós-carnaval, pessoas virão à Bahia para descansar, o que poderá provocar contaminações do mesmo jeito.

“Vocês vão ver caso não haja carnaval o que vamos viver na economia de Salvador e na Bahia. Todo dia um músico me liga pedindo R$ 50 conto porque está passando fome. Após o carnaval, os foliões vão vir descansar em Praia do Forte, em Morro de São Paulo”, pontuou Souza.

O empresário Joaquim Joaquim Nery Filho, sócio-diretor da Central do Carnaval, reclamou da postura anticarnaval da audiência. Segundo ele, falou muito de Covid e pouco de Carnaval. Nery criticou os sindicalistas presentes, que segundo ele criminalizam os empresários, são “capitalistofóbico”.

“O Carnaval não foi e nem será vilão, ele será realizado com um grande numero de vacinados. Vir aqui ajudar, […] representantes com discursos capistalistofobico, um dos representantes criticou os empresários olhando nos meus olhos”, desabafou Joaquim Neves, que saiu da audiência antes do fim, revoltado.

O vereador Sílvo Humberto tentou acalmar os ânimos citando que essa audiência e o debate não pode ser “um jogo de adversários”, e que era preciso “considerar os indicadores porque é a vida das pessoas que estarão em risco”.

A Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada de Eventos é compostas pelos vereadores Claudio Tinoco (presidente), Anderson Ninho (vice-presidente), André Fraga, Cris Correia, Daniel Alves, Leandro Guerrilha, Marta Rodrigues, Ricardo Almeida e Sílvio Humberto. Desta vez, o evento será realizado em conjunto com a Comissão do Carnaval, presidida pelo vereador Henrique Carballal.

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