Com carro de som, faixas, cartazes e bandeiras, os manifestantes – que saíram às 9h em caminhada do Hospital Menandro de Farias em direção à Praça da Prefeitura – denunciam o racismo e o genocídio do povo negro, pedem a demarcação do território original do Quilombo Quingoma, questionam a política de segurança pública do governo de Rui Costa (PT) e entoam gritos de ordem pedindo o ‘Fora Bolsonaro e Mourão’.
“Vidas negras importam. Não podemos seguir sendo vítimas de um genocídio fruto de uma política de Estado. A Bahia ocupa a quarta posição entre os Estados brasileiros em que a policia mais mata. Mesmo com a pandemia e o isolamento social, o número de mortes não parou de subir. De 773 mortes, em 2019, chegamos 1.137 mortes, em 2020. Os dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública, divulgado este ano, também mostram que a Bahia é o Estado que lidera em mortes por chacinas no Nordeste. Os alvos dessa politica são os jovens negros da periferia. Chega! Parem de nos matar”, diz Matheus Araújo, representante do Movimento Aquilombar e da CSP-Conlutas, entidades que fazem parte da organização da ‘Marcha Quilombola e da Periferia de Lauro de Freitas’.
Dona Ana, liderança do Quilombo Quingoma, defende a demarcação do território, que segundo ela, vem sofrendo ataques do setor imobiliário.
“Somos um quilombo histórico, único resquício de mata verde de Lauro de Freitas. Hoje, sofremos forte investidas de setores imobiliários, que tem apoio dos governos, que querem nossa terra para construir ‘bairros novos’, isto é, condomínios residenciais. Querem retirar os povos originários de suas terras para obter lucro. Lutamos hoje em defesa do Quingoma, do nosso território e de nossas vidas”, pontua Dona Ana.
O Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal na Bahia (SINDJUFE-BA) esteve presente na mobilização e levou cartazes contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 32), que trata da reforma administrativa.
“O dia de hoje também é parte do calendário de luta contra o governo federal. Estamos aqui em defesa dos serviços públicos, que são essenciais ao povo pobre, que em sua maioria são negros. Não podemos deixar que direitos básicos se transformem em mercadoria. O SINDJUFE-BA diz não à PEC 32 e fortalece a luta pela derrubada deste governo genocida e inimigo do povo pobre e negro”, afirma Fernanda Rosa, dirigente do SINDJUFE-BA.
A ‘Marcha Quilombola e da Periferia de Lauro de Freitas’ foi convocada pelo Movimento Aquilombar, Associação do Quilombo Quingoma, Movimento Nacional Quilombo Raça & Classe, CSP-Conlutas, Grupo de Capoeira Semear Angoleiros, Posse de Conscientização e Expressão (PCE), Núcleo de Apoio às Comunidades (NAC), Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal na Bahia (SINDJUFE-BA) e Secretaria de Negras e Negros do PSTU.



