O coordenador-geral da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Gilberto Leal, disse, nesta segunda-feira (15), esperar o apoio de todos ao projeto de indicação (512/2021) feito ao governo do Estado pela presidente da Comissão de Direitos Humanos e de Defesa da Democracia, Marta Rodrigues (PT), para que a ponte Salvador-Itaparica seja denominada “Ponte Maria Felipa”.
“A campanha para denominação da ponte está ancorada no projeto e respectivo manifesto da CONEN já encaminhado ao governador Rui Costa desde 2019, bem como a parlamentares e gestores dos municípios envolvidos” diz Gilberto.
Segundo ele, Salvador e o estado da Bahia carregam uma dívida de destaques para a história da população negra, bem como seus heróis e heroínas.
“Precisamos criar esse pacto junto a iniciativa de Marta, que é parte desse processo desde início” afirmou.
Para Marta, a Homenagem é mais do que justa, uma vez que Maria Felipa de Oliveira é considerada a heroína negra da Independência da Bahia – concretizada dia 2 de julho de 1823 – e liderou a resistência à tentativa de invasão das tropas portuguesas à Ilha de Itaparica.
“Este projeto é de suma importância tendo em vista a necessidade de valorização dos heróis e heroínas nacionais, das lutas abolicionistas, da história e da representatividade do povo negro, dando ênfase à participação feminina, que geralmente sofre tentativa de apagamento. Dada a relevância de Maria Felipa nada mais justo que colocar seu nome em equipamento de grande porte como a ponte Salvador-Itaparica que será referência no Brasil e no mundo.”, explica a vereadora.
Para Marta, é obrigação dos poderes públicos atuar na reparação histórica e no direito à verdade como mecanismo de justiça, principalmente diante da tentativa de apagamento das personagens negras promovido pela colonização e pelo machismo.
“Precisamos usar a reparação como mecanismo de justiça e direito a verdade, respeitando o passo a passo e a história do movimento negro. E essa é uma luta que precisa de apoio, pois nossos ancestrais nos ensinaram que devemos acompanhar os passos dos irmãos e irmãs que saem na frente quando estamos juntos na mesma batalha. Maria Felipa foi uma mulher que colocou a liberdade como maior tesouro de sua vida. É uma homenagem a ela, a todas as mulheres negras que lutaram e ainda lutam por direitos”, pontua



