Exclusivo: “Rui Costa não quer realizar o Carnaval para investir recursos em um ano eleitoral no São João”, critica presidente da comissão de retomada de eventos

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O vereador do Democratas e presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada dos Eventos da Câmara Municipal de Salvador, Cláudio Tinoco, criticou, em entrevista ao OFF News, os argumentos apresentados pelo governador Rui Costa para não estabelecer uma data para o Carnaval, durante live na última terça-feira (9).

“Na verdade são desculpas de quem precisa tomar uma decisão e está ganhando tempo ou procurando ganhar tempo para poder, eu diria, deixar que a decisão acabe sendo tácita, sem nenhum pronunciamento efetivo por parte dele para que não fique o peso da responsabilidade pelo sim ou não. O governador já deu declarações claras de que não tem apreço pelo turismo, cultura, entretenimento, e pelos eventos. Isso está representado na dívida grande que o governo tem com artistas, produtores, prestadores serviços, de dois anos para cá, pelo menos são informações colhidas em depoimentos com artistas, pessoas que muitas vezes não podem se expõe para não estarem contrariando a postura do governador. Rui Costa está dando demonstração também de que não tem perspectiva de realizar o carnaval quem sabe para guardar os recursos visando, em um ano eleitoral, investir talvez em outros eventos, como São João, em que é comum o governo patrocinar prefeituras do interior”, ironizou Tinoco.

O vereador questiona o argumento sanitário apresentado pelo governador, que segundo ele usa pandemia como desculpa e não apresenta dados objetivos do cenário epidemiológico: “ele não apresenta um indicador sequer com a evolução histórica, para confirmar o que ele diz. Salvador está com dados em queda. Eu digo isso com base em pesquisas que fiz, usando site da Sesab, e posso afirmar há uma queda nos últimos dois meses, de 75%, óbitos no número de óbitos. Pesquisei também os dados do último final de semana, dia 6, estávamos com 117 internados, mas apenas 22 estavam diagnostico confirmado de Covid”.

O parlamentar e presidente da comissão que acompanha o retorno dos eventos em Salvador avalia como “crucial” uma decisão ainda em novembro, para que os agentes e entidades do Carnaval possam se organizar na busca por conseguir viabilidade econômica.

“Se a decisão não for tomada imediatamente, inviabiliza o Carnaval, tanto ponto de vista do poder público, das licitações de concorrência que duram em torno 90 dias. A partir de segunda, estaremos a 100 dias do carnaval, o que já é algo temerário, a não ser que o governador admita que já tenha contratos feitos, equipamentos e serviços contratados, ou que admita que fará contratações emergenciais, o que é muito ruim. A data do carnaval é prevista em calendário oficial. E não será apenas o campo privado impactado com essa indecisão, não serão só os grande blocos e camarotes, serão também as mais de 600 entidades: blocos afros, afoxés, blocos de samba, que não terão condições de captar patrocínio e comercializar produto para literalmente botar o bloco na rua”, explica o vereador do DEM.

Impacto

Tinoco aponta que se o governador atrasa essa decisão, os blocos não irão conseguir se viabilizar, ao menos que o governo decida arcar com praticamente todo custo da festa.

“Se ele atrasa essa decisão, indiretamente estaria assumindo a responsabilidade de arcar com o financiamento do conteúdo da festa. Uma decisão tomada agora, para o Carnaval de que deve ocorrer a partir do dia 23, 24 ou 25 fevereiro, não significa que se houve qualquer agravamento o Carnaval não possa ser adiado, pode até na véspera, como aconteceu na ameaça de greve da PM. Essa alegação de possível risco é mais uma desculpa de quem não quer assumir as responsabilidades de tomar uma decisão. Que ele diga que não tem condições. Ou ele é a favor do carnaval meramente indoor, com festas privadas? Temos conteúdo previsto disso, a exemplo do Carnavalito na arena Fonte Nova. O governador está admitindo um carnaval simplesmente indoor, sem povo, sem ser popular, sem pessoas nas rua, é isso? Precisamos ter clareza do que o governador deseja. Podemos discutir o carnaval, reduzir os dias, para sete, seis, cinco dias, se for consenso. O que não é aceitável é estarmos em novembro e ainda seguirmos com essa indecisão”, pontua o político do Democratas.

O presidente da comissão de acompanhamento para retomada de evento aponta que o prejuízo da não realização do Carnaval será de quase dois bilhões de reais: “serão R$1 bilhão e 800 milhões. é o que todas pesquisas, relatório diversos, com base nos últimos carnavais, 2018 e 2020, apontam. São mais de 220 mil postos trabalhos temporários que deixarão de ser gerados. No momento em que vivemos, de quase uma convulsão social, com filas enormes e diárias de pessoas na sempre em busca de auxílio, não ter uma festa como essa, você deixa sem oportunidade efetiva de superação as categorias dos ambulantes, motaxistas, catadores, recicladores, o carnaval é uma oportunidade de renda para ajudar quem mais precisa, do ponto de vista economia e social”. 

Contradição

Cláudio Tinoco classifica como “totalmente preconceituosa” a fala de Rui Costa durante a live, de que vidas humanas para ele estão acima dos interesses econômicos de grupos, que são legítimos.

“É Totalmente contraditório e preconceituoso, Rui Costa foi vereador da cidade, deve conhecer bem as características da festa. O Carnaval não é evento que oferece renda apenas aos grandes artistas e empresários, ponto de vista econômico, citamos diversas categorias que tem nele uma fonte de renda não só salvador, quantas pessoas não vem do interior para cá, para trabalhar no Carnaval? Essa cadeia produtiva do entretenimento em Salvador é alimentada pelo carnaval, ele é palco da expressão, da promoção Salvador e da Bahia para mundo, não só para o Brasil. É contraditória essa fala de Rui, por acontecer no mesmo dia em que ele aumenta o público dos estádios para 70%, o que dá na Arena Fonte Nova, 35 mil, e libera a venda da cervejinha; qual diferença tem, com isso está beneficiando um grupo econômico, que é concessionário da Arena Fonte Nova, isso é economia, não é uma decisão meramente social, por ele ser torcedor do Bahia, isso viabiliza, melhores condições econômicas para gestão da arena, que o estado coloca R$ 10 milhões por mês; é mesmo contraditório que ele diga que para o Carnaval não vai tomar baseada economia, no mesmo que adota uma decisão de que vai de encontra a uma viabilidade econômica do concessionário”, critica Tinoco.

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