Líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador, a vereadora Marta Rodrigues (PT) ironizou, nesta sexta-feira (4), o discurso do prefeito Bruno Reis na 26ª Conferência do Clima na Escócia (COP 26), quando ele disse que a prefeitura realiza ações na capital baiana para preservação ecológica e ambiental, citando o projeto Salvador Capital da Mata Atlântica, dentre outros.
“Parece que Bruno mais uma vez se inspirou em Bolsonaro, dessa vez no discurso mentiroso que o presidente fez no G20, quando disse que o Brasil era avançado no combate aos efeitos das mudanças climáticas, na preservação do meio-ambiente e da Amazônia, e que não tinha problema nenhum em relação a essas questões no país. Na Escócia, o prefeito citou ações que nunca saíram do papel em Salvador, promessas que nunca foram cumpridas e que são constantemente cobradas por especialistas e ambientalistas”, destacou.
Marta afirma que o que se presencia, atualmente, é Salvador sendo alvo de cobiça por empresários, vítima do velho e coronelista esquema de grilagem, das centenas de derrubadas de árvores, destruição constante de suas áreas remanescentes da Mata Atlântica e de ecossistemas associados.
“O que estamos vendo é descaso total com os espaços da cidade, com a venda de terrenos públicos nos bairros, a derrubada de centenas de árvores pelo obsoleto projeto BRT, o desmatamento ilegal em uma extensa área no bairro Mussurunga, a dificuldade em criar o Vale Encantado. É evidente o descompromisso com a cidade, com o meio-ambiente, desrespeitando inclusive o próprio Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU)”, afirmou.
Sobre o projeto de tornar Salvador a capital da Mata Atlântica, que o prefeito Bruno Reis citou na Conferência, Marta ressalta: “Já tem cinco anos esta promessa. A mesma prefeitura também assinou o Acordo de Paris em 2020, se comprometendo a cumprir metas até 2024 como a criação de novos parques, unidades de conservação, espaços verdes, corredores ecológicos e ampliação da arborização urbana. Nada foi feito”.
Devastação
A líder da oposição cita outros exemplos, como a demora da prefeitura em assinar o decreto que cria o 1º Refúgio de Aves Silvestres (Revis) da capital, garantindo a proteção do Vale Encantado, área em Patamares de 61 hectares de Mata Atlântica e muitas Áreas de Preservação Permanente, que abriga ao menos 200 espécies de plantas e 262 espécies de animais.
“Desde 2020 que este decreto e está pronto e não é assinado. A falta de vontade de concretizar o Revis se mostra mais escancarada porque todos os pareceres dos órgãos responsáveis foram favoráveis e estão disponíveis. É nítida a pressão da especulação imobiliária que vai de encontro a criação de Unidade de Conservação de Proteção Integral, conforme previsto no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), através da Lei 9.985/2000”, destaca. “Agora, o que o prefeito sabe fazer bem é apresentar projeto discricionário e sem transparência querendo privatizar serviços públicos essenciais, onerando a população pobre da cidade, como o PL 305”, alfinetou.
Para Marta, o discurso do prefeito foge ‘totalmente’ da realidade. “No bairro de Mussurunga, nos setores J, L e I, a empresa ATF Patrimonial destrói uma enorme área de Mata Atlântica para construir, ilegalmente, um condomínio”, disse.
A vereadora recorda que a empresa recebeu aval para supressão de vegetação de maneira irregular pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Município, uma vez que para isso seria necessário o licenciamento do Inema e da Autorização para Manejo de Fauna (AMJ), o que não ocorreu. “Ou seja, concedido irregularmente sem o licenciamento ambiental estadual e sem a autorização de manejo de fauna – AMJ, nos termos da Lei Federal 11.428. É falaciosa essa imagem que Bruno Reis quis passar no COP 26,”, ressaltou.



