Doutor em História defende queima de Borba Gato e diz que ato é oportunidade para discutir homenagens do Estado a pessoas que praticaram o mal no Brasil

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O doutor em História e professor da UFBA, especialista em história política, Carlos Zacarias, classifica como “bobagem” o argumento de que a queima de um estátua em protesto, a exemplo do que aconteceu com Borba Gato, é uma tentativa de desconstruir o passado.

Ele avalia que o ato de protesto busca sempre fazer uma reparação histórica e levantar um debate sobre quem é o homenageado e os motivos para o ato.

“As pessoas que falam que isso seria apagar o passado falam bobagem. O passado, ele não vai ser apagado de modo algum, muito menos por atos como esse. A necessidade de discutir o passado é parte sempre do presente. Até as próprias estátuas que foram erguidas no nosso passado, mas não foi erguida na época de Borba Gato – a estátua em questão ela foi erguida no início no final da década de 50 e início dos anos 60 -, então ela tem muito mais a ver com a época em que ela foi erguida do que com passado que ela quer representar”, explicou Zacarias.

O especialista avalia que o atentado contra a estátua de Borba Gato foi um ato simbólico, como admitiu Paulo Gallo, autor da ação e organizador do coletivo Entregadores contra o Fascismo, que buscava provocar uma discussão sobre quem era o bandeirante homenageado pelo governo de São Paulo.

Controvérsia

Carlos Zacarias questiona o fato de muitas cidades brasileiras, a exemplo de Salvador, ter ruas e obras de arte público homenageando membros de ditadura e de figuras do período do Brasil colônia ligadas escravidão .

“Nós temos no Brasil uma situação em que a democracia não reviu as homenagens que foram feitas às figuras da ditadura. Então, a gente transita por exemplo aqui no Dique do Tororó, e passa na Avenida Costa e Silva, que foi o general da ditadura que assinou o AI-5. Qual o motivo de se homenagear Costa e Silva? Qual sentido de ter escolas que se chamam Emílio Garrastazu Médici ou Castelo Branco, que foram presidentes da ditadura? Foi na abertura da democracia um acerto de contas com o passado”, destacou o professor da UFBA.

O especialista avalia que é preciso “manter aceso o passado”, que “não podemos esquecer principalmente o traumático, da ditadura”, mas ressalta que isso não significa “permitir que o passado seja celebrado, sacralizado, monumentalizado” na forma de homenagens: “as estátuas que existem ainda elas devem ser retiradas e levadas para o museu, para dizer do tempo que elas quiseram representar o tempo em que foram erguidas”.

“Eu acho que a ação que foi feita, se não reparou mal que a estátua Borba Gato representa para o país, serviu para colocar em discussão o que significou o período em que negros e indígenas foram escravizados, e a homenagem que feita muito tempo depois ao homem que é simbólico dessa perseguição, dessa caçada, desse genocídio que se praticou no Brasil”, destacou Zacarias.

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Zé Pereira
Zé Pereira
4 anos atrás

Em verdade, o grande erro “histórico”, foi cometido lá em 1957, erigindo-se uma estátua em homenagem a um FACÍNORA. TRISTE BRASIL!!!

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