A Receita Federal autuou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e cobrou impostos e multa sobre R$ 6,4 milhões valores suspeitos de serem recebidos como propina.
“Procedimento de fiscalização do órgão assinado em 2018 concluiu que o senador, novo chefe da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, não declarou ao fisco em 2014 R$ 1,4 milhão pago pela empreiteira UTC em esquema alvo da Operação Lava Jato e outros R$ 5 milhões repassados pelo frigorífico JBS. Para demonstrar essa tese, os auditores mencionaram diversas movimentações financeiras em dinheiro vivo feitas pelo político e pessoas próximas na época”, diz Folha de São Paulo.
O senador, presidente desde 2013 do PP, um dos principais partidos implicados na Lava Jato, recorreu junto ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão vinculado ao Ministério da Economia.
A Folha questionou a pasta sobre o estágio de análise desse recurso, e a resposta foi que o Carf não se manifesta sobre processos específicos que constam em seu acervo. Também não informou quanto foi cobrado.
“O relatório dos auditores foi anexado em inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal que apura os repasses da JBS ao senador. No início de 2019, ele foi alvo de uma operação da PF dentro dessa investigação, batizada de Compensação. Na ocasião, foram encontrados em endereço dele em Teresina US$ 33,5 mil (equivalente a R$ 173 mil em valores atuais). A investigação criminal ainda não foi encerrada”, diz Folha.
O procedimento da Receita afirma que o político foi questionado sobre a movimentação das quantias e que “abdicou de apresentar” explicações.
“A principal movimentação em espécie mencionada pelos auditores foi o pagamento em outubro de 2014 de R$ 445 mil em custas do inventário do pai do político, que havia morrido no ano anterior. A transação, feita por um irmão do senador, Raimundo, foi confirmada pela família em depoimentos. A apuração também lista, por exemplo, depósitos em dinheiro vivo em sua conta que somaram quase R$ 60 mil ao longo de 2014 e pagamentos de despesas pessoais feitas dessa maneira. Há menções a pagamentos efetuados por ele de R$ 20 mil a uma loja de veículos importados, em São Paulo, e outros R$ 2.460 em uma concessionária, no DF”, diz o jornal de São Paulo.
“Não é razoável acreditar que indivíduos esclarecidos e sem a necessidade de esconder a real origem de suas rendas optariam por transitar com valores significativos em espécie, abdicando da segurança e da celeridade de transações bancárias”, diz o documento.



