Presidente da APLB Sindicato, o professor Rui Oliveira avalia que, nesta segunda-feira (26), a categoria deu mais uma demonstração de unidade ao não retornarem para às salas de aula.
Previsto pelo governo da Bahia como o dia D do retorno ao ensino em salas de aula desde o início da pandemia do novo coronavirus, através de um modelo semipresencial, o que se viu nesta segunda-feira foram escolas fechadas e as poucas que estavam funcionando receberam uma quantidade muito pequena de alunos.
São mil e duzentas escolas na Bahia, 95% não funcionaram. Pegar uma escola tipo Manuel Devoto, com dois mil alunos e conversar com dez, chega a ser ridículo. Não houve aula. Até os colégios militares endossaram nossa paralisação, colégios esses que nunca fizeram greve, dessa vez tomaram uma decisão. A escola do Dendezeiro, de Alagoinhas, tomaram a decisão de só voltar com todos imunizados”, destacou Oliveira.
A baixa no retorno dos professores e alunos motivou o governo a marcar uma reunião para próxima quarta-feira (26), entre a APLB e o secretário de Relações Institucionais, Luiz Caetano, e da educação, Jerônimo Rodrigues.
A APLB utilizou sua ampla rede de comunicação, através dos diretórios em toda Bahia, para conscientizar pais e alunos sobre os risco da volta às aulas sem os professores imunizados. Carro de som e até propaganda em televisão foi utilizada.
Apelos
Oliveira avalia que o governador Rui Costa (PT) erra ao subir o tom e atuar para jogar à sociedade contra os professores, através de discursos inflamados em que faz apelos humanitários para o retorno dos profissionais às salas de aula citando o risco ao futuro dos alunos.
Nós queremos o diálogo. Olha o que aconteceu em Salvador, que tem um prefeito do DEM, que comeu um pão que o diabo amassou com APLB, que queriam ter aula três de maio, e que teve que aceitar que não haveria retorno sem imunização. Hoje quase todos os profissionais estão imunizados e já trabalhamos com a possibilidade de retorno no dia 23 de agosto. É mais razoável fazer o que ele fez ou o que Rui Costa está fazendo? A gente gasta menos energia com isso e foca em outras coisas mais importantes. O governador tem que diminuir o tom, evitar os conflitos e sentar à mesa como faremos na quarta, negociar uma transição. Peço ao governador e aos dirigentes que tenha sensibilidade”, solicitou Rui Oliveira.
O sindicalista afirma que o melhor agora é o governador evitar seguir o script de Bruno Reis e pensar que o retorno das aulas irá acontecer em um período curto, de um a dois meses no máximo, quando todos os profissionais da educação estarão star imunizados com as duas doses e com segurança para retornar ao ofício: “está aí a variante delta, com alto grau de transmissibilidade o que deixa todo mundo preocupado. É inadmissível querem neste momento colocar quase milhares de alunos com professores e servidores para se contaminarem. Eu gostaria de parabenizar não só a categoria, mas as que ouviram o nosso apelo. Não é uma luta economicista, estamos atuando em defesa da vida, que é um bem universal”.
Retaliação
Oliveira ressalta que não é ameaça de corte de ponto que fará com que os professores retornem para às salas nesta terça-feira (26). Lembrando Antônio Carlos Magalhães, o educador destacou que a categoria não é afetada por ameaças e retaliações.
“O malvadeza (um dos apelido de ACM) já morreu, gente. Ameaça não tem sentido para gente, quanto mais ameaçar, mais a categoria fica revoltada e é aí que ela radicaliza o processo, como ocorreu na greve de 2012. O melhor é a gente dialogar, o governo conversar, de forma civilizada, respeitosa com toda categoria. Nós não estaremos de braços cruzados, essa semana teremos diversas atividade, debates sobre vacinação, ensino híbrido. A gente espera que através do diálogo possamos encontrar soluções”, destacou o presidente da APLB Sindicato.



