Esquema de desvio de dinheiro público envolvendo contrato do MS com empresa de logística, alvo da CPI da Covid, pode respigar em Lira e Ciro Nogueira

Ciro e Arthur Lira

Compartilhe essa notícia!

Apuração da Crusué mostra desta sexta-feira (16) mostra um suposto esquema de corrupção capitaneado pela alta cúpula do Partido Progressista no Ministério da Saúde.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), e o presidente do PP Brasil e senador da República, Ciro Nogueira, são apontados como autores de pressão para ampliação do valor do contrato de logística no Ministério da Saúde, realizando pressão, inclusive, contra o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. As revelações podem jogar luz no que Pazuello queria dizer quando deixou o ministério, dizendo que foi vítima de pressão de figurões da política após se recusar a liberar o ‘pixulé’.

“O informante envolve a cúpula do Progressistas, além do próprio Roberto Dias, em um suposto esquema de desvio de dinheiro no contrato de distribuição de vacinas com a VTCLog. Foram nominalmente citados, além de Ricardo Barros, Arthur Lira, Ciro Nogueira, políticos responsáveis diretos por indicações a postos de comando dentro do ministério, além da advogada Andreia Lima, que se apresenta como CEO da empresa e já teve sua convocação aprovada pela CPI na semana passada, para explicar os negócios nebulosos celebrados com o ministério. Pedidos de quebras dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da empresa e da executiva também já foram apresentados na comissão”, diz Crusoé.


A revista aponta que o esquema seria operado por um indicado do atual comandante da Câmara: “Lira, um dos supostos beneficiários do esquema, foi o responsável pela indicação do então coordenador-geral de material e patrimônio do Ministério da Saúde Alexandre Lages Cavalcante. Foi Cavalcante quem assinou o contrato hoje recheado de indícios de irregularidades entre a pasta e a VTCLog em julho de 2018. Cavalcante já foi secretário de Gestão em Alagoas, apadrinhado pelo atual presidente da Câmara e por seu pai, o ex-senador Benedito de Lira”.

Cavalcante migrou do MS para o governo do Distrito Federal, onde foi exonerado cinco meses após assumir o cargo por conta da suspeita de envolvimento em um escândalo milionario: “Ele deixou o ministério no início de 2019, após ser nomeado subsecretário de Saúde no governo do Distrito Federal. Foi exonerado cinco meses depois, com a repercussão negativa em torno da ação movida contra ele pelo Ministério Público Federal no mesmo caso em que Barros e a empresa Global Gestão em Saúde também são réus: o pagamento de 19,9 milhões de reais por remédios para tratar doenças raras que nunca foram entregues. A Global é a sócia da Precisa Medicamentos, a empresa intermediária que assinou o contrato de 1,6 bilhão de reais da vacina indiana Covaxin”.

Apurações do Ministério Público Federal mostra que Alexandre Cavalcante foi quem assinou, ainda em 2017, a ordem de pagamento antecipado para Global, empresa conhecida por não entregar os produtos contratualizados ou entregar produtos de uma qualidade inferior.

“Segundo o MPF, foi Alexandre Cavalcante quem também assinou, em 2017, a ordem de pagamento antecipado para a Global, após um servidor da pasta, depois de pressionado, ter se recusado a fazê-lo por suspeitar de irregularidades no procedimento. O relato se assemelha ao depoimento prestado por Luis Ricardo, irmão do deputado Luis Miranda, sobre uma pressão interna para permitir o pagamento antecipado de 45 milhões de dólares em uma conta em Singapura aberta por uma filial do laboratório indiano Bharat Biotech, que não constava do contrato intermediado pela Precisa com o Ministério da Saúde. A nova denúncia envolvendo o negócio com a VTCLog aponta para uma pressão política para turbinar o contrato de transporte de vacinas”, explica Crusoé.

A suspeita é que o pixulé, citado pelo ex-ministro da Saúde no desembarque do pasta, seria o resultado de um flexão do gestor para atender os interesses nada republicanos dos parlamentares fisiológicos.

“Os senadores da CPI da Covid suspeitam que esse caso guarde relação direta com os pedidos de “pixulé” — um eufemismo para propina — que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse, no dia em que deixou o ministério, ter recebido de políticos interessados no polpudo orçamento da pasta. À CPI, o deputado Luis Miranda afirmou que, em conversa reservada durante um voo, três dias antes de sua demissão, Pazuello lhe confidenciou que um político ameaçou tirá-lo do cargo caso não liberasse o “pixulé” do ministério no fim de 2020. Depois do depoimento, segundo integrantes da comissão, Luis Miranda teria dito que o nome citado por Pazuello foi o de Arthur Lira. Ao ser questionado sobre o fato, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira, 12, Miranda afirmou que ex-ministro é que deveria revelar o nome, mas não negou que o político citado tenha sido o do atual presidente da Câmara. “O Pazuello sabe o que ele falou. Se ele mentir, eu desminto ele”, declarou Miranda”, lembra revista do grupo O Antagonista.

A relação de Ciro Nogueira e com o dono da VTCLog, Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos, pode ter sido fruto de uma falha moral do senador do PP:

“A Crusoé, Flavinho admitiu não apenas cultivar relação com os políticos citados, incluindo Flávio Bolsonaro, que jogaria “futebol em sua casa”, como afirmou, em nome da manutenção da “amizade com Ciro Nogueira”, ter perdoado um caso extraconjugal de sua própria mulher com o senador que hoje integra a tropa de choque do governo na CPI. Segundo a denúncia que chegou aos ouvidos de Luis Miranda e da própria CPI, o suposto escândalo envolvendo a traição só não foi detonado porque Ciro, colocado contra a parede por Flavinho, pressionou Roberto Dias a assinar o aditivo com a VTCLog no momento em que o contrato estava sob risco. No fim, com o contrato renovado, como numa ação entre amigos, todos se deram bem: Flavinho, o dono da VTCLog e os expoentes do Centrão, que mantiveram, segundo a denúncia, seus esquemas na Saúde”, pontua Crusué.

Segue a revista destacando que “num primeiro momento, Flavinho negou ter usado a história envolvendo sua mulher para favorecer a VTCLog. Também rechaçou conhecer qualquer tipo de falcatrua na Saúde. “Jamais pedi ao Ciro (ajuda nos negócios do Carlinhos, dono da VTCLog). O Ciro nunca me deu abertura para isso. Eu nem sabia que o Carlinhos precisava dessa ajuda”, afirmou. Informado na quinta-feira, 15, que seu nome seria incluído na reportagem, o empresário mudou o tom. Disse que, se Crusoé topasse retirar seu nome da matéria, “ele poderia ajudar com informações”.

Deixe seu comentário

guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Últimas