Critério escolhido pelo Ministério da Saúde para o repasse de doses de vacinas Covid-19 promovia distorções e obrigou estados a criarem mecanismos para garantir dose mínima

Vacinação

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O parâmetro escolhido para distribuição das doses de vacinas contra o novo coronavírus, que venha a ser o número de imunizados contra o H1N1 em 2020, provocou distorções na distribuição das doses pelo Ministério da Saúde aos estados. 

A disformidade foi admitida pelo ministro Marcelo Queiroga na última quarta-feira (14), durante audiência da Comissão de Seguridade Social e Família. 

Diante do diagnóstico, o OFF News procurou a Secretaria de Saúde da Bahia para saber o impacto do critério na distribuição das doses de imunizante no estado. 

“Objetivamente, o critério de distribuição das vacinas por parte do Ministério da Saúde são os grupos prioritários, não o quantitativo estimado da população. Até o momento recebemos o quantitativo necessário para imunizar integralmente 4.934.740 pessoas, ou seja, 44,26%”, explicou a Sesab, com dados da imunização até a última quarta-feira (14), antes da chegada de novas doses. 

A secretaria explicou que, por falta do censo de 2020, cancelado por força da pandemia, e tendo o último ter sido realizado em 2010, estando defasado, a principal base de dado para distribuição dos imunizantes passou a ser o número de imunizados com o H1N1 em 2020. 

A imunização contra a influenza, realizada em meio à pandemia, não teve a adesão dos últimos anos, o que pode ter contribuído ainda mais para o aumento das distorções entres os município, já que por não ser uma imunização compulsória e nem impeditiva. 

“Dentre as diversas bases de dados utilizadas para calcular o quantitativo dos grupos prioritários, a principal é a da campanha de 2020 da vacinação contra a gripe (H1N1), já que o último censo populacional ocorreu em 2010 e as projeções não são fidedignas. Como consequência, na eventualidade de um município não ter executado uma boa campanha de vacinação contra o H1N1, ou seja,  não atingir toda a população-alvo, o registro ficou comprometido no sistema do Ministério da Saúde, causando distorções no envio de doses”, pontuou a pasta. 

Como solução, entendendo a existência de realidades distintas na vacinação do H1N1 e buscando reverter as distorções, a Comissão Intergestores Bipartite da Bahia definiu o mínimo de 10% das doses para os grupos prioritários e 90% para o público em geral, aplicando as doses de forma escalonada, por idade. 

“Os municípios que já concluíram os grupos prioritários poderão utilizar 100% das doses de forma escalonada, por idade. O critério de distribuição não era populacional, mas por grupos-prioritários e agora, o critério visa reequilibrar a vacinação nos municípios. Como dito anteriormente, essa distorção tem como causa o modelo de distribuição nacional e por isso, a Sesab, por meio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, levou o pleito ao Ministério da Saúde”, destaca o órgão. 

Deformidades

O deputado Jorge Solla (PT) fez um levantamento que constatou distorções na distribuição das doses: “Nós temos estados que receberam doses suficientes para vacinar 53% num extremo e, no outro extremo, estados que já receberam doses suficientes para vacinar 82,6% ou até mesmo 101%. Rondônia e Tocantins já receberam vacinas suficientes para toda a população”.

Levantamento de deputado mostra distorção por estado Foto: Divulgação

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