O deputado federal Ricardo Barros (PP) utilizou uma rede social para negar que seja o nome citado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), como autor de esquemas no Ministério da Saúde.
Segundo Luis Miranda (DEM), ao se reunir com o presidente da República, em março, para denunciar um esquema de superfaturamento ao qual o seu irmão, Fernando Miranda, servidor do Ministério da Saúde, estava sendo pressionado para autorizar o trâmite de importação, Bolsonaro citou que o fato deveria “ser coisa de Ricardo Barros” e que ele iria levar o caso ao diretor-geral da Polícia Federal.
Segundo o parlamentar do DEM, Bolsonaro não só não tomou uma atitude, não quis mais recebê-lo e nem responder às suas comunicações.
“Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. “Não sou esse parlamentar citado”; a investigação provará isso. Também não é verdade que eu tenha indicado a servidora Regina Célia como informou o senador Randolfe. Não tenho relação com esse fatos”, destacou Ricardo Barros em uma rede social.
Ricardo Barros é o autor da emenda na MP que autorizou à compra da Covaxin sem a necessidade do aval da Anvisa.
A queda do ex-ministro Eduardo Pazuello também foi provocada pelo embate com o líder do governo Bolsonaro, segundo apontou o político do DEM em oitiva na CPI da Pandemia.
O senador Alessandro Vieira afirmou que irá protocolar requerimento para convocar o ex-ministro da Saúde e líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para dar explicações acerca da transação.
Miranda prestou depoimento ao lado de seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde que alega ter sofrido pressão para liberar a compra de quatro milhões de doses da Covaxin via pagamento adiantado, R$45 milhões, através da offshore Madison Biotech e não da Barth/Biotech, empresa ligada à Precisa Medicamentos e que estava prevista em contrato. A Covaxin foi a única vacina comprada pelo Brasil através de uma empresa intermediária.
Ricardo Miranda aponta o ex-secretário-executivo do MS, Élcio Franco, e os servidores Alex Leal Marinho, Coronel Pires e Roberto Ferreira Dias como os autores da pressão que seria feito a mando de Ricardo Barros (PP).
O contrato com a Covaxin foi acertado em fevereiro de 2021, ao preço de 15 dólares a dose. O documento para exportação deve ter ser refeito ao menos três vezes por divergência nos valores e a inclusão do offshore de fora do contrato.
O governo reservou R$ 1,6 bilhão para aquisição da vacina contra Covid-19. A oferta inicial da Covaxin era de cerca de dois dólares a dose.
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