O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou, durante oitiva na CPI da Covid, que o líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (PP), é o parlamentar apontado por Jair Bolsonaro como o autor do esquema para compra superfaturada da Covaxin via offshore de Cingapura.
Ricardo Barros é autor da emenda que autorizou a compra da Covaxin sem o aval da Anvisa.
“A senhora sabe que se eu fizer isso vou ser perseguido. Já disseram que eu perdi a relatoria da Reforma Tributária. Eu sei o que vai acontecer comigo. A senhora sabe que é o Ricardo Barros que o presidente falou, foi o Ricardo Barros. Eu não me sinto pressionado por falar, eu queria ter dito no primeiro momento, eu sei o que vou passar; apontar um presidente da República que todo mundo defende como uma pessoa correta, honesta, que tem algo errado, sabe que o nome, sabe quem é e não faz nada por medo da pressão que pode levar por outro lado. Que presidente é esse que tem medo de quem está fazendo o errado, de quem desvia dinheiro público das pessoas morrendo com a porra desse Covid?”, desabafou Miranda.
A queda de Eduardo Pazuello também foi provocada pelo embate com o líder do governo Bolsonaro, segundo apontou o político do DEM durante oitiva na CPI da Pandemia.
O senador Alessandro Vieira (sem partido) afirmou que irá protocolar requerimento para convocar o ex-ministro da Saúde e líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para dar explicações acerca da transação.
Miranda prestou depoimento ao lado de seu irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde que alega ter sofrido pressão para liberar a compra de quatro milhões de doses da Covaxin via pagamento adiantado, R$45 milhões, através da offshore Madison Biotech e não da Barth/Biotech, empresa ligada à Precisa Medicamentos e que estava prevista em contrato. Ele aponta o ex-secretário-executivo do MS, Élcio Franco, e os servidores Alex Leal Marinho, Coronel Pires e Roberto Ferreira Dias como os autores da pressão que seria feito a mando de Ricardo Barros.
O contrato com a Covaxin foi acertado em fevereiro de 2021, ao preço de 15 dólares a dose. O documento para exportação deve ter ser refeito ao menos três vezes por divergência nos valores e a inclusão do offshore de fora do contrato.
O governo reservou R$ 1,6 bilhão para aquisição da vacina contra Covid-19. A oferta inicial da Covaxin era de cerca de dois dólares a dose.
Leia também:



