O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou, em resposta ao questionamento do senador Angelo Coronel (PSD), na CPI da Covid, que um dos motivos de sua saída para o cargo foi o fato do presidente da República falar uma coisa nas reuniões e fazer outra nas ruas. Jair Bolsonaro (sem partido) prometia para Mandetta que iria cumprir os protocolos sanitários: usar máscara, não aglomerar, e usar álcool em gel, mas na prática fazia algo completamente diferente.
“Cada vez que se conversava com o presidente, ele compreendia. Dizíamos: não pode aglomerar, usa máscara, álcool em gel, então saímos de lá animado porque ele falava ok, ele compreendia e dizia que iria ajudar. Só que passavam dois, três dias que ele voltava a aglomerar, a fazer as coisas [contra medidas sanitárias]. Isso foi indo até que chegou uma hora de que realmente ficou muito difícil para ele me manter no cargo, já que eu deixei claro que não abandonaria o cargo jamais, e que se ele quisesse ele me demitia. E ele me demitiu e continuou com essas práticas”, lamentou Mandetta.

O membro do governo Bolsonaro, questionado pelo senador baiano acerca do fato de antes comungar com o governo e, no dia seguinte após sua saída, virar um crítico ácido do presidente, Mandetta ressaltou: “Então, agora, como cidadão, eu posso, sim, criticar, porque eu não vi, mesmo após eu ter saído, ter visto ele negar [que não foi contra] uso de máscara, higiene das mãos, compra de vacina, a testagem, uma série de negações. Eu, como cidadão, hoje, 410 vidas me separam do presidente”.
Ao ser questionado se haveria no Ministério da Saúde pressão pouco republicanas por parte de parlamentares ou membros do governo, como denunciou o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em março, o ex-ministro deixou claro que isso não ocorreu em sua gestão.
“É bom perguntar para Pazuello que pressão é essa. Se for a pressão legítima de parlamentares, Câmara, Senado, para que levem recursos por seu estados, é absolutamente legítimo. Eu fui o ministro que, em 2019, mais recebeu senadores e deputados. Nunca presenciei nada que possa desabonasse a conduta de quem esteve por lá”, garantiu Luiz Henrique Mandetta.



