O ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Mandetta, afirmou, durante oitiva da CPI da Covid, que o presidente da República foi informado em reuniões e até através de uma carta de que o melhor caminho para evitar mortes, no início da pandemia do novo coronavírus, era através da implementação da política de distanciamento social.
“Fizemos as recomendações, são três pilares: preservar vida, quem não valoriza a vida e 1º lugar tem dificuldade com ela; Segundo é o SUS e terceiro é a ciência. Era um mal estar grande. Seguimos as recomendações, o que presenciava em público [pelo presidente] e não era novidade… tínhamos por parte do presidente um outro olhar, decisão e caminho que ele decidiu do seu convencimento, não se através de outros assessores, do MS nunca houve nenhum assessoramento naquele sentido, muito constrangedor ministro da saúde explicar que estávamos indo por um caminho e o presidente por outro”, desabafa Mandetta.
Citando o isolamento vertical, defendido pelo presidente à época, o ministro avalia que provavelmente havia uma outras fonte que fornecia ao presidente informações sobre medidas sanitárias para pandemia.
Ele cita um episódio em que encontrou o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) sentando atrás dos ministros e tomando nota. Ele cita que houve uma reunião com Bolsonaro, médicos e ministros onde se tentou oficializar o uso da cloroquina para tratar o novo coronavírus, mesmo sem comprovação científica.
“O Ministro da Saúde é convocado para dar explicações. Tive dentro do Palácio e fui informado para subir ao terceiro andar, onde tinha lá uma reunião com vários ministros e médicos que iriam propor que a cloroquina, tinha um papel não timbrado, um decreto sugerindo que mudasse a bula da Cloroquina na Anvisa, colocando na bula indicação da cloroquina para Covid-19; Tinha um assessoramento paralelo,”, destacou Mandetta.
Mandetta também deixou claro que “jamais” pediria demissão do cargo e criticou quarentena de 180 dias imposta contra ele após deixar o MS.
“Não pediria jamais demissão do cargo, foi nomeado pelo presidente, em situação de pandemia, tinha paciente doente, tinha que ficar com meu paciente à revelia de tudo e de todos. O presidente não gostou, não quis, achou por bem ter outro ministro, que ficou 30 dias [Nelson Teich], depois encontrou um ministro melhor afinidade nas ações [Eduardo Pazuello]; mas eu não negociaria os valores e a formação que eu tenho. Acho que era o momento onde todo mundo pudesse ajudar, tinha que trabalhar, mas teve esse entendimento comissão de ética, que foi só para mim”, lamentou Mandetta.



