Ex-ministro da Saúde diz que governo Bolsonaro fazia defesa da cloroquina mesmo sabendo de eventuais danos à saúde

Mandetta

Compartilhe essa notícia!

O ex-deputado federal e ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, revelou que havia um grupo de defesa da cloroquina no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após ser questionado pelo senador Otto Alencar (PSD), durante oitiva na CPI da Covid. 

Esse grupo fornecia dados e informações ao presidente da República, e, pelo que sinalizou Mandetta em diversos momentos,  tinha entre os seus membros o filho do presidente da República, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), e o ex-chanceler Ernesto Araújo. Um estudo publicado na França, em março de 2020,  sobre eventuais benefícios da Hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus, sustentava a ala pró-cloroquina, que chegou a tentar incluir na bula do medicamento contra malária que ele era eficaz contra o vírus respiratórios. Mandetta alertava sobre eventuais intercorrências que o remédio poderia trazer, mas era ignorado.    

““Havia consciência que estavam fazendo indução, e eu dizia que não se pode fazer propaganda de algo que não se tem consistência. Eu dei a eles exatamente essa explicação, parece que estava me vendo na sua explicação. Deveriam saber, a bula, e mais do que a bula, a farmacodinâmica da droga. Não pode ser [eu prescrevo] e vou na tentativa [que dê certo]”, destacou Mandetta, criticando o uso indiscriminado do medicamento.  

Otto questionou se membros do governo estavam defendendo o uso da cloroquina como remédio para curar covid-19 / Foto: Reprodução Senado Federal

Ao ser questionado sobre os motivos do governo não ter feito uma ação preventiva nas fronteiras do Brasil, principalmente em aeroportos, o ministro sinaliza que o Ministério da Saúde não poderia fazer isso sozinho, e que há uma sucateamento dos postos de vigilância em aeroportos. 

“Há uma área cinzenta, da Anvisa, vigilância sanitária estadual, os técnico são insuficientes, a maioria dos que ficavam em aeroporto, que são acionados quando temos que viajar para fora do país, para estados que exigem vacina, são oriundos da antiga Funasa, Sucam lá atrás, e que foram envelhecendo… São contratos temporários, que não tem vínculo de capacitação; então a cooperação técnica sofre com isso

Mandetta lamenta o fato do Brasil estar sempre atrás do vírus, e avalia que os lockdows foram realizados “quando o leite já estava derramado”.

Deixe seu comentário

guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Últimas