O senador e membro da CPI da Covid, Angelo Coronel (PSD), classificou como “absurdo” o imbróglio envolvendo a chegada da Sputnik V no Brasil, em entrevista à Rádio Jovem Pan, na manhã desta sexta-feira (30).
Na última segunda-feira (26), diretores da Anvisa vetaram, por unanimidade, a importação do imunizante russo por estados e municípios, alegando que a vacina é um mar de incertezas e que aponta para cenário de riscos impressionantes, em referência ao fato do Instituto Gamaleya não ter enviado toda documentação cobrada pelo órgão fiscalizador.
“Temos que pressionar o governo para que faça acordos com outros países para que a vacina chegue com rapidez. É um absurdo o que aconteceu com a Sputnik; e não ia ser nem recurso do governo federal, os governos estaduais, boa parte se juntaram para importar essa vacina e a Anvisa criou problema. Aí eu pergunto: será que essa vacina utilizada largamente na Argentina, Venezuela e Rússia, não serve para Brasil? Estou achando que está tendo muita politicagem na questão da vacina, e precisamos de rapidez, sem politicagem; colocara as vacinas de imediato para vacinar a população brasileira”, destacou Coronel.
O senador, que é autor do requerimento de convocação do Diretor-Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, cobra do órgão sanitário explicações acerca da metodologia utilizada pela agência para barrar o imunizante da Rússia.
Antônio Barra Torres será ouvido pela CPI da Covid na próxima quinta-feira (6), ao lado do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
“Acredito que a Anvisa, por ser um órgão regulador que libera vacina, esse presidente atual tem que explicar qual a metodologia, o porquê da demora; O Porquê do vírus estar matando dia a dia e temos um produto na mão com mais facilidade e nós temos esse entrave da Anvisa; já basta negacionismo do governo. Eu sei que Anvisa é governo, mas é uma agência, a agência tem obrigação agir com mais imparcialidade. Espero que o Torres, diretor-geral da Anvisa, esclareça para CPI, porque se ele não esclarecer e for conivente com essa não entrada de vacinas, ele pode ser indiciado criminalmente. Não podemos conceber que vidas ceifadas diariamente pela burocracia governamental”, criticou o membro da CPI da Covid.
Angelo Coronel é também o autor dos requerimentos para convocar o presidente da Pfizer no Brasil e dos presidentes do instituto Butantan e da Fiocruz. O objetivo dos requerimentos é apurar os motivos para o atraso na chegada de doses de imunizantes contra Covid-19 no Brasil: “Estou focando na questão fornecedores de insumo e fabricantes de vacina, como no Brasil nós só temos hoje a Fiocruz e Butantan, queremos saber se houve negligência, se tem algum pedido de apoio Butantan ao governo e se ele negou”.
O parlamentar lembra que o fato do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ter negado um pré-acordo para 70 milhões de doses também será alvo de apuração.
“Eu também fiz um ofício convidando a diretoria da Pfizer. A Pfizer ofereceu um pré-acordo, ofereceu ao brasil 70 milhões de doses e até hoje essas doses não chegaram, está chegando 1 milhão hoje… Queremos saber porque o governo não comprou essas 70 milhões de doses no ano passado, o que poderia ter evitado que várias vidas fossem ceifadas. Temos que fazer essa provocação com os dois lados para saber quem está com a razão”, ressaltou Angelo Coronel.
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