Rui Oliveira chama Bruno Reis de “irresponsável”, cobra vacinação e diz que volta às aulas é para atender setor privado

Oliveira

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O presidente da APLB, Rui Oliveira, afirma que o retorno das aulas em Salvador atende aos interesses dos grandes grupos educacionais e promete uma paralisação geral em Salvador no próximo dia três de Maio, quando está previsto o retorno das aulas semipresenciais em Salvador.


Em conversa com o OFF News, o sindicalista lamentou a morte de um vice-diretora de escola municipal de Salvador no último sábado (23), por complicações após se contaminar com o novo coronavírus, e lembrou que uma diretora e seu marido seguem internados com 50% do pulmão comprometido por causa da Covid-19.


Rui criticou o uso do retorno das aulas municipais como pretexto para o recomeço das aulas nos institutos privados de ensino, e ressaltou que o retorno das aulas só será possível se houver segurança para todos envolvidos no espaço educacional, o que segundo ele, só será possível com o processo de vacinação completo.


“A OMS está dizendo que o Brasil se tornou o epicentro da Covid-19 no mundo. A Bahia segue dando exemplo ao adotar as medidas de segurança e, até o ano passado, na gestão ACM Neto, os prefeitos adotavam posições de forma conjunta, entre eles o governo do estado. O novo prefeito[Bruno Reis], para atender ao setor econômico, grupos com muito dinheiro, faz pressão para o retorno das aulas presenciais. Já que o retorno não pode acontecer apenas para escolas particulares, ele obriga escolas municipais a aderirem mesmo com a alta taxa de contaminados e de óbitos”, pontua Oliveira.

Vetores


O professor sinaliza que o retorno das aulas transformarão os alunos em vetores do novo coronavírus e que não permitirá que uma categoria, formada em grande parte por pessoas do grupo de risco, sejam expostos à morte: “voltaremos às aulas se tivermos com os trabalhadores vacinados, não é após a primeira dose não, é após a segunda e contado o tempo da vacina, que umas são de de 15 dias e outras de 30”.

Rui afirma que não será apenas na escola que os profissionais da educação e alunos poderão ser contaminados, mas também no transporte público que é “deficitário e ineficaz” para atender a demanda.


Rui afirma que a decisão de Bruno Reis é irresponsável e isolada.

“Não vamos aceitar uma decisão irresponsável e isolada de um prefeito. As 12 cidades da RMS, Lauro, Camaçari, Madre de Deus e por aí vai, disseram que não vão seguir o prefeito de Salvador e não estabeleceram data para o retorno das aulas”, lembra Oliveira.


Rui afirma que essa semana será de mobilizações para a categoria, com reuniões quase que diárias nas APLBs da Bahia. Na próxima quarta-feira (28), ocorrerá uma reunião geral com todas APLBs, que deve reunir cerca de 30 mil pessoas, para deliberar sobre o movimento de paralisação seguido de uma greve geral, caso o Bruno Reis não volte atrás com o retorno das aulas em Salvador.

“Não vai ter aula de jeito nenhum, faremos um enfrentamento ao absurdo negacionismo dos dirigentes municipais, que parecem desconhecer a ciência e que estão indo na contramão da história para favorecer o poder econômico. A paralisação será geral em solidariedade aos trabalhadores da capital, primeiro faremos uma paralisação e se manter essa decisão, vamos deflagrar greve”, destacou o presidente da APLB.

Críticas

O sindicalista da educação rebateu às críticas de Bruno Reis, que durante coletiva na última sexta-feira (23), chegou a dizer que os profissionais da educação eram os únicos que ainda não haviam retornado ao trabalho.


Bruno Reis foi professor universitário de uma instituição privada.

“Você não pode esperar de um gestor que não conhece de educação algo diferente. Ao falar bobagem uma bobagem dessa ele desvaloriza o conhecimento acumulado na pandemia, com aulas virtuais, não só dos profissionais do setor público, mas também do setor privado. É triste a forma como o prefeito tenta desqualificar a educação pública, é lamentável”, criticou Oliveira.


O secretário de Educação, Marcelo Oliveira, afirmou, durante entrevista ao Jornal da Manhã desta segunda-feira (26), que os professores que realizarem uma paralisação ou greve terão os dias cortados de seus salários.


“Desde a época da ditadura quem não tem diálogo vai para esse tipo de linguagem arrogante, prepotente. É bom lembrar que tivemos uma greve de 115 dias de greve com salários cortados. A ameaça de uma pessoa que não conhece da educação não vai nos intimidar, isso só mostra que estamos no caminho certo ao lutar em defesa da vida”, destacou Oliveira.

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