SILÊNCIO
Quase 80 dias depois da reabertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa da Bahia, em 3 de fevereiro, e o governo de Jeronimo Rodrigues ainda não conseguiu aprovar um único projeto em 2026. Um silêncio legislativo que já começa a fazer barulho. É crise de articulação? Sinal de desgaste político? Ou um recado velado dos deputados diante de uma gestão que, para muitos, ainda patina na entrega de obras e resultados concretos? No fim, o plenário travado levanta mais do que dúvidas: expõe um governo que fala, anuncia, promete…mas encontra dificuldade até para transformar discurso em voto dentro da própria base.
QUEM GANHA?
A Comissão de Constituição e Justiça aprovou a PEC que prevê o fim da escala 6×1 e, como já era esperado, começou o festival de paternidade: aliados de ACM Neto comemoram com entusiasmo, destacando o protagonismo na relatoria, enquanto a ala ligada a Lula certamente já prepara o discurso para reivindicar a criação — com direito a paternidade, maternidade e quem sabe até tutela da ideia. No fim das contas, quem deveria ganhar é o povo; mas, na política, até vitória coletiva vira disputa de narrativa…e essa, como sempre, ninguém quer dividir.
SERÁ?
A entrada de José Estevão na disputa pelo governo da Bahia, pelo Democracia Cristã, muda aquele roteiro confortável que muita gente já dava como resolvido. Será? De repente, o jogo que parecia polarizado começa a ganhar mais um personagem e, com ele, a chance real de embaralhar as contas. Será? Talvez seja bom ACM Neto e Jeronimo Rodrigues abrirem o olho, porque eleição que parecia decidida no primeiro turno pode começar a pedir um segundo capítulo. Será? E olha que nem é trend.
JUSTA CAUSA
A pré-candidatura de Samara Martins à Presidência já começa causando e não é pouco: entre as propostas, está o fim da Polícia Militar, sob o argumento de que policiais devem ser tratados como trabalhadores comuns, como qualquer outra profissão. A ideia, esbarra numa realidade bem mais complexa do que slogan de campanha. No fim, parece mais uma daquelas teses que rendem manchete fácil, mas que, quando colocadas à prova, soam tão desconectadas que fariam qualquer gestor pedir revisão imediata. Porque, convenhamos, tem proposta que não gera debate, gera reação e, dependendo do caso, mais parece motivo pra justa causa do bom senso.
PRA BOI DORMIR
A declaração de Wellington Dias de que a próxima eleição será mais fácil do que em 2022 soa quase como exercício de otimismo criativo, ou, sendo mais direto, conversa pra boi dormir. Em um cenário onde pesquisas vêm mostrando desgaste, insatisfação com a economia e um ambiente político bem mais fragmentado, tratar a disputa como “mais tranquila” parece ignorar completamente o termômetro das ruas. Ou não está vendo os números…ou está fingindo que não vê.



