Ex-presidente do INSS afirma que Casa Civil de Lula, com Rui Costa, atrasou plano para reduzir espera na fila

Rui Costa

Compartilhe essa notícia!

De acordo com uma reportagem do O Globo, o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) tinha pronto desde janeiro um plano pronto para reduzir a fila de pedidos de benefícios, mas não conseguiu executá-lo porque a Casa Civil do presidente Lula não bateu o martelo. Foi o que afirmou à equipe da coluna de Malu Gaspar, Gilberto Waller, demitido da presidência do instituto na segunda-feira da semana passada (13).

O Globo aponta que de acordo com Waller, o plano foi elaborado em conjunto com a Casa Civil, a Dataprev e representantes do Ministério da Previdência Social, que cuida da perícia médica. Previa a redução da fila a 1,3 milhão até o final do governo. E chegou a ter algumas medidas implementadas – como o Atestemed, ferramenta que permite pedir pela via digital a licença por incapacidade temporária, o antigo auxílio-doença, com o envio de documentos pelo aplicativo Meu INSS.

“Fizemos algumas coisa que já deram efeito, como os mutirões aos finais de semana”, declarou o ex-gestor ao sinalizar que não sabe por que a Casa Civil não bateu o martelo sobre o plano.

Waller foi nomeado para comandar o INSS no final de abril de 2025, após o surgimento do escândalo dos descontos indevidos em pensões do INSS. Ele não tinha um bom relacionamento com o chefe, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, mas ainda se disse surpreendido pela demissão, como informou a jornalista Andréia Sadi em seu blog no G1.

A Sadi, o ex-presidente do INSS afirmou que foi informado da exoneração por volta das 10h30m de segunda, sem aviso prévio ou explicação sobre quem tomou a decisão. O agora ex-presidente do INSS contou ainda que não chegou a conversar com o ministro da Previdência. Foi apenas comunicado pelo secretário-executivo da pasta de que sua saída já estava definida e que tinham “decidido” pela demissão, sem maiores detalhes.

Desde a sua nomeação, em abril do ano passado, Waller se reuniu apenas uma vez com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).  A informação consta na plataforma e-Agendas do governo federal e foi confirmada pelo próprio Waller à equipe da coluna. O encontro se deu uma semana após a nomeação, em 6 de maio. Estavam presentes os ministros Wolney Queiroz (Previdência Social), Rui Costa (Casa Civil), Esther Dweck (Gestão), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Secom).

Ainda segundo a reportagem de O Globo, o objetivo da reunião, segundo a informação oficial, era discutir a resposta do governo ao escândalo de descontos indevidos de aposentadorias e pensões, como o modelo de ressarcimento das vítimas do esquema. Segundo o agora ex-presidente do INSS, na ocasião não se tocou no assunto da fila do INSS.

Desde então, Lula esteve outras duas vezes com Wolney Queiroz, ainda de acordo com o e-Agendas. Todos os encontros se deram em 2025 e nenhum neste ano, apesar da pressão eleitoral sobre a promessa de zerar a fila do INSS.

Conforme mostrou O Globo, dados do Boletim Estatístico da Previdência (BEPS), a fila de espera praticamente triplicou desde a posse de Lula, em janeiro de 2023. Após um pico de 3,1 milhões de pedidos em compasso de espera em fevereiro deste ano, o número oscilou para 2,7 milhões no mês passado. O governo, porém, segue recebendo cerca de 61 mil novas solicitações por dia.

Procurador federal e ex-corregedor-geral e ex-subprocurador-geral do INSS, Waller foi escolhido por Lula para presidir o instituto após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), que mirou o então dirigente do órgão, Alessandro Stefanutto, atualmente preso.

O ministro da Previdência à época, Carlos Lupi, tentou manter Stefanutto no cargo, mas o petista determinou que ele fosse demitido. O desgaste também levou à demissão de Lupi semanas mais tarde.

Ainda segundo a coluna de Malu Gaspar, as investigações da PF apontam indícios de que Stefanutto exerceu o papel de “facilitador institucional” de entidades beneficiadas pelos descontos em aposentadorias e integrou “o núcleo político-institucional” do esquema com o objetivo de “garantir o funcionamento e a impunidade do esquema fraudulento, mediante atuação” dentro do próprio INSS. Ele está preso desde novembro.

À época da indicação por Lula, Waller assumiu o INSS com ares de interventor pela sua carreira na Advocacia-Geral da União (AGU), em contraste com a solução caseira no Ministério da Previdência Social, já que o novo ministro, Wolney Queiroz, era secretário-executivo de Lupi.

Na ocasião, Waller anunciou que um dos seus objetivos seria “tirar o INSS das páginas policiais”. Lula não se manifestou publicamente sobre a escolha do novo chefe da autarquia, mas logo após o Palácio do Planalto confirmar sua nomeação, o presidente fez um pronunciamento em cadeia nacional classificando o escândalo de “esquema criminoso” e reivindicando o papel do governo e das instituições de Estado na elucidação dos crimes.

Passados quase 12 meses, o problema da fila não se resolveu e tampouco Lula despachou em outras oportunidades com Gilberto Waller.  Com a exoneração, o INSS será presidido por Ana Cristina Viana Silveira, funcionária de carreira da autarquia desde 2003 que até ontem exercia a função de secretária-executiva adjunta no ministério de Wolney Queiroz.

Ex-deputado por Pernambuco, o titular da Previdência foi um dos 19 ministros de Lula que permaneceram no governo e não se desincompatibilizaram para disputar as eleições de outubro. A permanência de Queiroz ocorreu a pedido do presidente.

Ao ser indagado sobre o teor das agendas do ministro com Lula no ano passado e se houve despachos em 2026 porventura não registrados no e-Agendas, o Ministério da Previdência Social não retornou até o fechamento da reportagem.

Deixe seu comentário

guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

Últimas