Deputado baiano, candidato a vaga no TCU, afirma que parlamentares foram “coagidos” a deixar o país e defende presunção de inocência em futuros julgamentos.
O deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) admitiu publicamente que votou contra a cassação dos ex-deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ) , em dezembro de 2025. A revelação foi feita durante sabatina na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara, onde concorre a uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) .
“Enquanto membro da mesa diretora, eu me recusei e votei contra, junto com o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) e o deputado Sérgio Souza (MDB-PR), a cassação do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro e a cassação do mandato do deputado Alexandre Ramagem”, afirmou Elmar.
Segundo o parlamentar baiano, Eduardo e Ramagem “contribuíram muito para o nosso país, de excelente qualidade, e que estavam coagidos a estar aqui presentes”. Ele argumentou que a ida de ambos aos Estados Unidos “não era por falta de vontade deles, que eles não estavam aqui exercendo mandato, mas foram impelidos a ter que sair do nosso país”.
Ramagem e Bolsonaro tiveram seus mandatos cassados em dezembro de 2025. O primeiro foi condenado penalmente pelo STF no âmbito do inquérito da trama golpista; o segundo, por abandono de cargo, devido ao período em que permaneceu nos EUA. Nesta segunda-feira (13), Ramagem foi preso pela Immigration and Customs Enforcement (ICE) em solo norte-americano.
Elmar também criticou o que considera excesso de interferência de outros poderes sobre o Legislativo. “Não dá mais pra gente aceitar como está transitando na nossa Casa”, disse, ao comentar decisões recentes que, segundo ele, impactam as prerrogativas parlamentares.
Candidatura ao TCU
Elmar é um dos indicados para a vaga de ministro do TCU aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz. Na sabatina, ele afirmou que, caso seja eleito, dará maior valor ao princípio da presunção de inocência em futuros processos.
“O que menos eu estarei focado é em punir alguém, a gente tem que prevenir. O Ministério Público de Contas é que vai ter que provar que o gestor errou e teve dolo para que ele seja punido, porque as consequências são muito graves”, disse.



