Prefeita Débora Regis critica violência contra a mulher, machismo estrutural e na política sentido na pele em ação no Dia da Mulher em Lauro de Freitas

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Prefeita afirma que mulheres precisam trabalhar “mil vezes mais” para obter reconhecimento e lamenta naturalização da violência doméstica: “Algumas acham que é normal porque viram as mães apanhando”.

A prefeita de Lauro de Freitas, Débora Regis (União Brasil) , fez um discurso contundente neste sábado (7) sobre violência de gênero e as dificuldades enfrentadas por mulheres na política. Durante agenda pública no município da Região Metropolitana de Salvador, a gestora abordou a naturalização da violência doméstica e o machismo estrutural presente na sociedade.

Ao tratar do tema, Débora destacou como padrões culturais e familiares influenciam a percepção de muitas mulheres sobre a agressão. “Algumas mulheres acham que é normal porque viu as mães também apanhando. Gerou nelas a normalidade, achando que é normal apanhar. ‘Ele me bateu porque estava nervoso, ele me bateu porque estava com ciúmes, ele me bateu porque ele me ama demais’”, afirmou.

Machismo na política

A prefeita também relatou sentir na própria pele os efeitos do machismo estrutural. Segundo ela, mulheres precisam se esforçar muito mais para alcançar o mesmo reconhecimento que homens em cargos públicos.

“E quando a gente vê uma sociedade tão enraizada… Eu sinto isso na pele, sabe por quê? Se fosse qualquer homem, fazendo nesse ano tudo o que eu já fiz, já era o melhor prefeito da região metropolitana. A mulher tem que trabalhar mil vezes mais. Mil vezes mais. Quando é homem, é prefeitão. Mas quando é mulher, é prefeitinha”, disse.

Rivalidade feminina

A gestora ainda lamentou o que considera a reprodução de comportamentos machistas dentro da própria sociedade, inclusive entre mulheres. “E sabe o que me deixa triste? É ver outras mulheres proliferando o machismo. Sempre botam uma rivalidade entre as mulheres”, completou.

A declaração ocorre em meio às discussões que antecedem o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, data que costuma mobilizar debates sobre igualdade de gênero, combate à violência contra a mulher e maior participação feminina em espaços de poder.

Foto: PM Lauro de Freitas.

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