Em entrevista à CBN Salvador, cacique do MDB também critica distorções da lei eleitoral, através das cotas que geram “candidaturas fantasmas”, e abre as portas da legenda para quem quiser concorrer: “Não precisa de cota para vir para o MDB”.
O ex-ministro e cacique do MDB na Bahia, Geddel Vieira Lima, fez uma análise contundente do cenário eleitoral em entrevista à Rádio CBN Salvador nesta sexta-feira (6). Ao comentar a multiplicidade partidária e as regras eleitorais, Geddel disparou contra o Avante, lembrando que a legenda não atingiu a cláusula de barreira e, por isso, não terá tempo de televisão nem acesso ao fundo partidário nas eleições de outubro.
“Uma multiplicidade partidária impressionante, talvez isso caia agora. O Avante inclusive, que não alcançou a cláusula de barreira, então não terão fundo partidário para os deputados que são candidatos agora na eleição, não terão tempo de televisão. Isso vai fazer com que esses partidos, que não têm representatividade política, ideológica, vínculo com a sociedade, deixem de existir”, afirmou Geddel.
Crítica às distorções da lei eleitoral
O emedebista também criticou o que chamou de “tormento” na montagem das chapas proporcionais após o fim das coligações, e apontou distorções como a obrigatoriedade de cotas femininas, que, segundo ele, acabam gerando “candidaturas fantasmas” por parte de presidentes de partidos que tentam burlar a lei.
“No MDB não precisa de cota ser candidata a deputada. Quer ser? O partido abre as portas para você. Agora, se a mulher não quer ser candidata, como é que você vai obrigar? Resultado: termina gerando aquilo que você viu aí, candidatura fantasiosa”, declarou.
MDB de portas abertas
Geddel fez questão de destacar que, no MDB, as portas estão abertas para todos os segmentos, sem necessidade de cotas. Citou como exemplo a atuação da secretária Larissa Moraes, que, segundo ele, representa a diversidade na prática, com competência, e o deputado federal Nestor Neto, que lidera o movimento negro dentro do partido.
“Quem quiser ser candidato, venha para o MDB. Não precisa de cota para vir para o MDB. As portas estão abertas. LGBTs, se quiserem ser candidatos, venham. Negros, temos um movimento negro forte. O partido está aberto”, afirmou.
Para Geddel, a legislação eleitoral atual termina gerando distorções que não interessam à democracia. “Essa situação da lei eleitoral termina fazendo com que isso chegue aqui no final, uma disputa por candidato que não é boa para a democracia”, concluiu.