Senador petista afirma que tentou manter o colega na base aliada, mas que decisão do PSD por alinhamento total e desejo de Coronel por independência tornaram ruptura inevitável
O senador Jaques Wagner (PT) encerrou publicamente o capítulo da crise com o senador Angelo Coronel (PSD), classificando sua saída do grupo governista como uma “página virada”. Em declaração, Wagner revelou que fez um esforço final para evitar o rompimento, chegando a propor uma divisão do mandato no Senado, mas que a decisão do PSD por um alinhamento total e o desejo de independência de Coronel tornaram a separação inevitável.
“O PSD já tem uma definição de andar com a gente e infelizmente, o Coronel queria que o PSD ficasse independente aqui. Não dá para ser independente, tendo crescido junto com o grupo”, afirmou Wagner, explicando o impasse. A declaração refere-se à decisão da direção estadual do PSD, liderada pelo senador Otto Alencar, de manter o partido integralmente alinhado à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Lula, enquanto Coronel buscava uma candidatura avulsa e com maior autonomia partidária.
O senador petista, no entanto, não mediu esforços para tentar uma solução de compromisso. “Fiz um esforço muito grande para mantê-lo aqui. Cheguei a propor a divisão do mandato”, revelou Wagner. A proposta inédita sugeria um acordo onde os dois senadores dividiriam o tempo do mandato, uma tentativa extrema de acomodar Coronel diante do retorno do ministro Rui Costa (PT) à disputa por uma vaga no Senado.
Diante da recusa, Wagner afirmou respeitar a decisão do colega. “Eu não acho que era o melhor, mas ele achou melhor sair. Tudo bem, ele foi para minha página virada”, declarou, encerrando o assunto com um tom de resignação.
Com a ruptura consolidada, Wagner sinalizou que o grupo governista já segue em frente. “O grupo já reorganiza sua estratégia eleitoral para outubro”, afirmou, demonstrando que o foco agora está na campanha unificada da chapa que terá Jerônimo Rodrigues para governador, Geraldo Júnior (MDB) para vice e Jaques Wagner e Rui Costa (PT) como candidatos ao Senado.



