Presidente do PL na Bahia afirma que não é só um senador, mas um “bloco político” que migra; ele destaca necessidade de compensações entre as cinco legendas do grupo de ACM Neto
O ex-ministro e presidente do PL na Bahia, João Roma, afirmou em entrevista nesta segunda-feira (2) que a vinda do senador Angelo Coronel para o grupo de oposição liderado por ACM Neto (União Brasil) é um “fato político de grande relevância” que exige a reestruturação da coligação e cautela nos diálogos partidários. Para Roma, a mudança altera profundamente o tabuleiro eleitoral porque envolve a migração de todo um bloco político.
“Uma mudança como essa de Coronel muda bastante o tabuleiro, porque ela pressupõe aí um outro encaixe, um novo movimento de filiação”, afirmou Roma à Rádio Baiana FM. “Não é apenas a pessoa do Angelo Coronel, são pessoas outras que também estão vinculadas ao seu grupo político”, completou, citando nomes como os deputados Diego Coronel (federal) e Angelo Coronel Filho (estadual), além de pré-candidatos como Tiago Gilleno e João de Furão. Roma apontou que Coronel chega ao grupo para ser candidato ao Senado Federal, assim como ele.
Desafio de Equilíbrio e “Muitas Compensações”
O dirigente partidário pontuou que a integração desse bloco exige um entendimento fino entre as cinco legendas que formam o núcleo duro da oposição: PL, União Brasil, PP, Republicanos e PSDB. O grande desafio, segundo ele, será equilibrar as ambições majoritárias (governo e Senado) com a necessidade de cada partido eleger bancadas fortes na Câmara Federal, que garantem sobrevivência e recursos nacionais.
“É preciso haver conversas e muitas compensações, uma vez que o fortalecimento das bancadas federais é o que hoje os partidos mais almejam nacionalmente”, explicou Roma. A fala sugere que a entrada de Coronel e seu grupo exigirá uma redistribuição de espaços nas chapas proporcionais, o que pode gerar atritos internos.
Pós-Carnaval Será Decisivo
João Roma revelou que, anteriormente, defendeu que ACM Neto aguardasse a definição de Coronel antes de fechar compromissos, evitando precipitações. Agora, com o cenário mais claro, ele projeta que o período após o Carnaval será decisivo para os anúncios finais. “Após as festas momescas haverá uma série de novidades para os comunicadores e para o eleitorado”, afirmou.
A análise de Roma reflete a complexidade de se absorver uma figura do peso de Angelo Coronel. Se por um lado sua chegada é um trunfo eleitoral inegável para a oposição, por outro ela impõe uma delicada engenharia política para acomodar interesses partidários diversos sem romper a coalizão. O sucesso dessa operação será um dos primeiros grandes testes para a capacidade de articulação de ACM Neto na corrida pelo Palácio de Ondina.



