São João: presidente da UPB lidera pacto histórico para evitar “cartel dos cachês”

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Em entrevista à imprensa na manhã desta sexta-feira (30), o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso (PSB), anunciou a criação de um pacto inédito entre prefeituras da Bahia e do Nordeste para estabelecer limites de gastos, tetos de cachês e regras unificadas na contratação de artistas e estruturas para os festejos de São João. A medida tem o objetivo de evitar distorções no mercado de shows, combater a cartelização e garantir responsabilidade fiscal nos municípios.

Segundo o socialista, uma comissão de prefeitos já foi formada para estruturar o modelo.

“Tiramos uma comissão para quarta-feira, com prefeitos de Serrinha, Santo Antônio de Jesus, Jiquié, Senhor do Bonfim, Cruz das Almas e Conceição da Feira. Vamos alinhar as regras e quinta-feira estaremos reunidos com o presidente do TCM, Francisco Neto, o presidente do TCE, o Ministério Público, com o procurador-geral Pedro Maia e a promotora Larissa Tourinho. Esse movimento a sociedade já abraçou, os artistas também vão abraçar, e nós vamos fazer talvez um São João ainda melhor do que o do ano passado, mas com responsabilidade e preço justo”, declarou.

O gestor destacou que a proposta prevê limites objetivos para os gastos públicos. “Está se criando um percentual para não ultrapassar mais de 10% do que se gastou no ano passado e também serão criados três tetos, que ainda serão discutidos na reunião da comissão. A ideia é ajustar e não permitir distorções. Se um artista teve um cachê exorbitante no ano passado, ele vai ter que se adequar. A gente não vai repetir gastos desproporcionais”, acrescentou.

Ainda de acordo com gestor, o pacto já ultrapassa o território baiano e se consolida como um movimento regional.

“Esse movimento já se tornou do Nordeste. Os nove estados estão nesse processo. Presidentes de associações estaduais já confirmaram participação. A ideia é evitar que saia daqui e vá inflacionar Pernambuco, Alagoas ou outros estados. É uma ação integrada do Nordeste”, continuou.

Durante a entrevista, o dirigente foi bastante direto ao apontar o principal problema enfrentado hoje pelos municípios. “O objetivo maior é evitar cartel. É ter dois ou três escritórios no Brasil controlando artistas e impondo valores. Isso torna o sistema insustentável. Daqui a pouco, nenhum município vai conseguir fazer São João”, pontuou.

O gestor ainda fez questão de explicar que o modelo respeitará a realidade econômica de cada cidade. “Você não pode gastar mais do que 10% em relação ao ano passado. A estrutura vai variar de acordo com o tamanho da festa. Município pequeno vai ter estrutura menor. Município que recebe artista maior, com maior público, vai ter estrutura compatível. Tudo vai ser proporcional, responsável e equilibrado”, concluiu.

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