Otto Alencar admite crise com Coronel e não descarta possibilidade de senador ir para base de ACM Neto

Otto e Coronel

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Senador e presidente do PSD na Bahia afirma que Angelo Coronel “não foi claro” sobre permanência na aliança com Lula e Jerônimo e reconhece “momento delicado”; ele reitera apoio pessoal ao PT, mas sinaliza que partido pode seguir caminho diferente

Em uma declaração que expõe publicamente a grave crise no principal partido aliado do governo baiano, o senador Otto Alencar (PSD), presidente estadual da legenda, admitiu que a relação com o senador Angelo Coronel (PSD) está em um “momento delicado” e deixou em aberto a possibilidade de uma migração do político para a base do candidato da oposição, ACM Neto (União Brasil). A fala foi dada em entrevista à Rádio Baiana nesta quarta-feira (28), ao tratar do impasse na formação da chapa ao Senado.

Otto Alencar revelou que as conversas para resolver a situação vêm ocorrendo desde o ano passado, sem sucesso. O ponto central da crise é a indefinição de Angelo Coronel sobre sua lealdade à aliança com o PT. “Até agora ele não foi claro disso”, afirmou Otto, referindo-se a uma possível decisão de Coronel de romper com o governador Jerônimo Rodrigues (PT). O presidente do PSD também mencionou ter dialogado com o deputado federal Diego Coronel (PSD), filho de Angelo e seu afiliado, sem obter uma posição definitiva.

“Momento Delicado” e Dilema Pessoal

Otto Alencar foi além do impasse técnico e descreveu o peso pessoal e político da situação. “É um momento delicado pra ele e pra mim também, sou um amigo dele”, confessou o senador. Ele, no entanto, deixou claro que seu compromisso histórico é inegociável: “eu não tenho como… defender um outro argumento, outra tese que não seja mantendo a aliança com o presidente Lula que eu venho já há muito tempo”.

Apesar dessa posição pessoal firme, Otto Alencar fez uma distinção crucial que abre espaço para um racha partidário. Ele afirmou que declarou apoio, “como a maioria também sabe disso, dos deputados estaduais, federais e os prefeitos”, à reeleição de Lula e Jerônimo. A frase sublinha que seu posicionamento é conhecido, mas não necessariamente unânime dentro do PSD baiano, sugerindo que a “maioria” pode não incluir Angelo Coronel e seu círculo.

Aguardando uma Solução e a Bomba-Relógio

O senador disse estar aguardando uma solução de uma negociação que “pode vir a acontecer ou não”, liderada pelo senador Jaques Wagner (PT). Mas ao admitir a crise, a falta de clareza de Coronel e a delicadeza do momento, Otto Alencar soou o alarme sobre o risco real de uma cisão. A declaração é um sinal inequívoco de que, se Angelo Coronel decidir deixar a base governista – seja para disputar o Senado por outra legenda, seja para apoiar ACM Neto –, ele pode levar consigo uma parcada significativa dos prefeitos e deputados do PSD, desmontando a principal aliança que sustenta Jerônimo Rodrigues no estado. A crise, agora admitida publicamente pelo líder do partido, tornou-se a maior ameaça à reeleição petista na Bahia.

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