Presidente do PL e ex-ministro afirma que aliados do governo estadual também sentem constrangimento; ele cita burocracia seletiva e assimetria no tratamento a empresas
Em uma crítica contundente à gestão estadual, o presidente do PL na Bahia e ex-ministro da Cidadania, João Roma, acusou o governo de conduzir o diálogo político com “atropelamento” e de criar um ambiente de intimidação contra prefeitos e empresários. Em entrevista à rádio CBN nesta terça-feira (27), Roma afirmou que decisões estão sendo impostas sem espaço para negociação, em uma estrutura rígida de “monobloco”.
“Com esses obstáculos, com o entendimento, com o convencimento e não com o atropelamento. Você não pode simplesmente submeter as pessoas e impor”, afirmou o líder oposicionista. Ele defendeu que a política deve ser um instrumento de mediação civilizada de conflitos, mas o que se vê na Bahia é “muita aspereza” e a não percepção de outros atores.
Citação de Coronel e Autocrítica como Ex-Ministro
Roma utilizou a figura do senador Angelo Coronel (PSD), atualmente um dos nomes centrais nas tensões da base governista, como exemplo de parlamentar próximo dos municípios. “Quem vai negar que o Ângelo Coronel, durante esse período, foi um senador que esteve próximo dos prefeitos da Bahia?”, questionou.
Em contraponto, o ex-ministro lembrou sua própria gestão à frente da Cidadania, destacando um suposto diálogo aberto e apartidário. “Eu como ministro recebi todos os prefeitos, nunca neguei uma agenda… nós ajudamos todos os prefeitos e ninguém foi perguntado nem qual era o partido político”, declarou, afirmando ainda receber mensagens de gestores municipais aliados ao governo que se sentiriam constrangidos.
Acusação de Perseguição Burocrática e Constrangimento
A crítica mais severa de Roma foi direcionada à relação do governo com prefeituras e empresas. Ele afirmou que há um “ambiente de constrangimento e temor”, onde o governo utilizaria mecanismos administrativos para pressionar aqueles que não estão alinhados. “O governo tem utilizado todos os mecanismos, desde dificultar até um documento. É um acesso burocrático muito grande”, denunciou.
Segundo o presidente do PL, essa assimetria se estende ao setor empresarial, com benefícios para aliados e perseguição a opositores. “Já outros têm sofrido bastante o caminho persecutório do governo em relação às suas atividades”, afirmou, concluindo que o poder público estadual estaria extrapolando seus limites ao tentar controlar a produção.
A fala de João Roma ocorre em um momento de alta tensão na base aliada do governador Jerônimo Rodrigues (PT), principalmente em torno da definição da chapa ao Senado, e reforça o discurso da oposição de que o governo atua de forma autoritária e excludente.



