A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da bancada da oposição na Câmara Municipal de Salvador, viu com otimismo a publicação, na edição de segunda-feira (15) do Diário Oficial da União, de portaria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) traçando diretrizes de preservação e critérios de intervenção no Centro Histórico, incluindo a Cidade Baixa.
“São duas áreas urbanas emblemáticas, com conjuntos arquitetônicos protegidos por tombamento federal”, ressaltou. Para Aladilce, a medida assinada por Leandro Grass, presidente do Iphan, é oportuna por contribuir para frear o processo de gentrificação colocado em curso pela prefeitura.
“O nosso Centro Histórico é um dos maiores conjuntos arquitetônicos das Américas, de arquitetura colonial, de grande valor histórico. Foi tombado pelo Iphan em 1984 e pela Unesco em dezembro de 1985. Então, são 40 anos de tombamento como patrimônio imaterial da humanidade e nós temos aqui, nesse sítio histórico, a história de Salvador, a história do nosso país. O Brasil foi descoberto aqui. Então, a gente tem que ter muito cuidado e essa Casa tem que estar vigilante também”, disse.
A vereadora cobra maior participação popular e do Legislativo Municipal no projeto de revitalização do Centro. “O que a gente tem visto é um projeto que visa transformar esse centro aqui num espaço elitizado, gourmetizado, o que não contribui para que Salvador se consolide e se aproxime das suas raízes, que é isso que nós precisamos, descolonizar a nossa cidade. E para isso a gente precisa afirmar as nossas origens indígenas e africanas em todos os sítios, em todos os lugares que a gente puder fazer”, completou.
Cartão postal
Como exemplo do que pode ser beneficiado pela portaria, Aladilce cita o Elevador Lacerda, “cedido pela gestão para um cerimonial de alto luxo, voltado para eventos particulares como casamentos e formaturas”. Ela diz que, “em vez disso, devemos manter esse nosso cartão postal internacional como público. Não é privatizar, é público. Porque isso afirma a nossa história, isso afirma a nossa identidade. A Praça Municipal também. Qual é o sentido que tem de privatizar a gestão da praça? Se isso acontecer, quem vai poder transitar ou fazer algum negócio por lá? Porque o interesse do privado é a renda”, questionou.
Aladilce acredita que a portaria ajudará com critérios para barrar o processo de gentrificação. E argumenta: “O Centro Histórico sem as pessoas que moram, que trabalham nele, não é nada. É um espaço vazio que pode ser encontrado em qualquer outra parte do mundo. Não vai encontrar essa diversidade que a gente tem aqui. Então, eu espero que a gente, com essa portaria, consiga frear também a privatização que querem fazer, a transformação do Centro Histórico que querem fazer, olhando apenas a questão da especulação imobiliária e da acumulação de renda em detrimento da nossa cultura, das nossas raízes, da nossa identidade como povo soteropolitano”.



