O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), afirmou que ainda terá uma última conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de oficializar uma eventual candidatura ao Senado nas eleições de 2026. A declaração foi dada ao comentar o calendário eleitoral e o prazo legal para desincompatibilização de ministros que pretendem disputar cargos eletivos.
Segundo Rui, a definição deve ocorrer até o início de abril de 2026, quando termina o prazo de seis meses antes do pleito para que ministros e secretários deixem seus cargos. “Fiquei de voltar a conversar com o presidente sobre isso agora no início do ano. O último dia para quem vai disputar a eleição sair do cargo é um dia antes dos seis meses da eleição, ou seja, no início de abril. Essa é a minha programação”, explicou.
O ministro destacou que sua eventual candidatura se insere na estratégia do Palácio do Planalto de fortalecer as candidaturas nos estados e ampliar a base governista no Congresso Nacional, especialmente no Senado. “O presidente está buscando reforçar as candidaturas dos estados. A minha candidatura se enquadra dentro dessa estratégia de reforçar o Congresso Nacional, em especial o Senado”, afirmou.
Bolsonaro, Flávio e cenário na Bahia
Rui Costa também comentou o anúncio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seria o nome da direita para disputar a Presidência da República em 2026. Questionado sobre os reflexos dessa movimentação na Bahia, especialmente para o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, possível candidato ao governo do estado, o ministro evitou personalizar o debate, mas fez críticas ao campo bolsonarista.
“Eu costumo dizer que a gente não escolhe o candidato do outro time. É como um treinador querer escalar o time adversário. Cada time escala o seu”, afirmou. Para Rui, a escolha de Flávio Bolsonaro representa uma posição mais explícita da direita brasileira. “É uma escolha mais autêntica da direita. Agora vai ficar mais desavergonhado, vai ter que assumir de que lado, de fato, esteve e está”, disse.
O ministro também criticou o silêncio de setores da oposição durante episódios recentes da política nacional. Segundo ele, aliados do bolsonarismo na Bahia teriam torcido pelo fracasso do país. “Quando a família Bolsonaro traiu o país, pedindo até intervenção militar dos Estados Unidos, eles aqui na Bahia ficaram caladinhos, torcendo para tudo dar errado”, afirmou.
Defesa do governo Lula
Ao comentar o cenário nacional, Rui Costa fez um balanço positivo do terceiro mandato do presidente Lula. Segundo ele, os indicadores sociais e econômicos do país mostram avanços significativos em relação ao período anterior.
“Estamos encerrando o terceiro ano do presidente Lula com tudo dando certo. Todos os indicadores sociais e econômicos estão muito melhores do que quando ele chegou”, afirmou. Entre os pontos destacados, Rui citou a queda no preço da cesta básica, a inflação controlada, a geração recorde de empregos e a redução da taxa de desemprego.
O ministro também ressaltou o aumento da massa salarial e o avanço de políticas de inclusão social, como o programa Minha Casa, Minha Vida. “Batemos recorde no Minha Casa Minha Vida, chegando a 2 milhões de unidades agora em dezembro e com a meta de alcançar 3 milhões até dezembro de 2026”, disse.
Rui Costa destacou ainda medidas voltadas à população de baixa renda, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a redução de tributos para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. Ele também citou mudanças recentes no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), que, segundo o ministro, devem beneficiar cerca de 20 milhões de brasileiros.
“Vai ficar muito mais barato e mais fácil tirar a habilitação. Isso atinge principalmente jovens do Nordeste que dirigiam moto ou carro sem carteira porque o custo era muito alto”, afirmou. Segundo Rui, a medida reduz constrangimentos, amplia a regularização e contribui para a segurança no trânsito.
As declarações do ministro reforçam o movimento de articulação política do PT visando as eleições de 2026, tanto no plano nacional quanto nos estados, com foco na consolidação da base governista e na ampliação da representação no Congresso.



