Durante a cerimônia de entrega da Comenda 2 de Julho ao secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins, nesta segunda-feira (1º), o senador e presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar, voltou a negar categoricamente qualquer intenção de disputar o governo estadual em 2026. A declaração ocorre após a circulação de rumores sobre um suposto arranjo político para encaixar o senador Angelo Coronel (PSD) na chapa majoritária e de que Otto teria se colocado como pré-candidato ao Palácio de Ondina.
De maneira firme, Otto classificou as informações como falsas e assegurou que jamais manifestou esse interesse.
“Eu nunca declarei isso, em lugar nenhum, em momento nenhum. Inventaram até que tinha nosso áudio. Eu nunca gravei nada nesse tipo. Eu tive a oportunidade de ser governador em 2022, convidado por Wagner, pelo presidente Lula, tive que ir a São Paulo para dizer a ele que eu não seria candidato. Não é o meu projeto político. Se eu quisesse ser governador, seria em 2022, com o presidente da República forte, me apoiando”, afirmou.
O senador também criticou a veiculação da informação e a atribuição indevida de declarações a ele.
“Eu não sei como inventaram. Eu não dei entrevista ao site Política Livre. Respeito muito todos os jornalistas, o próprio Raul, uma pessoa que tenho respeito e admiração, mas eu não dei. Alguém que deu mentiu e usou o meu nome de forma errada, sem nenhuma autorização”, reforçou.
Otto destacou que o rumor incluiu até a alegação de que existiria um áudio confirmando sua pré-candidatura. “Inventaram até que tinha um áudio. Mostre o áudio. Nunca gravei nada nesse sentido”, disse.
O senador lembrou que, há cerca de dois meses, durante almoço no Palácio da Alvorada, reiterou ao presidente Lula e ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que não tem interesse em disputar o governo estadual. Segundo Otto, sua posição é definitiva.
Ele citou o episódio em que Kassab sugeriu o nome do governador do Paraná, Ratinho Júnior, como possível candidato à Presidência da República em 2026, e reafirmou sua fidelidade ao projeto lulista.
“A Bahia está fora disso. Meu compromisso é com o senhor, presidente”, disse ao petista.
Otto também declarou que seguirá trabalhando pela reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e para que o senador Angelo Coronel permaneça na chapa majoritária governista. Segundo ele, a composição eleitoral só será definida no “tempo certo”, mas o PSD está alinhado com o projeto estadual.
Além disso, o senador fez questão de marcar distância de qualquer ligação com o bolsonarismo.
“Eu não terei condição de defender nenhum palanque que represente a tese bolsonarista. Seria negar tudo o que defendi na pandemia e durante todos esses anos”, disparou.
Otto Alencar ressaltou que sua história política é pautada pela defesa de uma linha de centro social e que não pretende mudar de campo ideológico:
“Tenho uma visão de centro social. Defendo isso há muito tempo. Vai ter muita dificuldade de mudar o meu caminho, não só por mim, mas por meus seguidores também”, afirmou.
O senador lembrou que lidera um grupo com 115 prefeitos e a maior bancada estadual do PSD, mas reforçou que a sigla não impõe amarras a ninguém.
Ele mencionou casos como o do deputado Cafu, que deixou o partido, e garantiu que não interfere nas escolhas individuais dos filiados.
“Não vou botar camisa de força no PSD. Quem quiser continuar comigo, continua; quem não quiser, está livre para seguir outro caminho”, disse.
Otto ainda frisou que mantém relações institucionais respeitosas com ex-integrantes de seu grupo político, como os deputados Rogério Andrade e Ricardo Maia.
“Eu tenho uma trajetória de não querer fazer nada que não seja dentro do padrão ético e respeitoso. Não cabe a mim perseguir ninguém”, afirmou.
Com a declaração, o cacique do PSD baiano busca encerrar especulações e deixar claro que seu papel em 2026 será de articulador e apoiador — e não de candidato.



